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terça-feira, 7 de abril de 2015

Padrões



Por que será que é tão difícil entender as pessoas que não se interessam em fazer parte dos padrões gerais estipulados pela sociedade? Quer dizer, entender aquelas que têm coragem de NÃO fazer parte, já que a maioria se sente obrigada a seguir os estereótipos de beleza, de comportamento, de estilo de vida...

Tudo bem que se você não respeitar pelo menos alguns dos tais padrões, você será imediatamente taxado de louco ou algo do tipo. Andar sempre vestido ou evitar fazer coisas muito íntimas em público, por exemplo, são comportamentos necessários. Mas o que tem de mal em uma pessoa gorda não se importar em continuar sendo gorda? O gay ser efeminado e a lésbica masculinizada? Qual o problema em ser uma pessoa de pouca ambição e estar contente com o nível financeiro que já possui? Qual o problema de uma mulher dizer que não quer casar ou ter filhos?

É tanta coisa imposta e quase obrigatória, e é tanta gente presa a ideias e conceitos que nunca foram exatamente seus, vivendo em uma vida que não é aquela que traria a devida satisfação. Estamos imersos em uma cultura social que vive fazendo lavagem cerebral em nossas cabeças, fazendo-nos querer tão mais além do que a nossa própria vontade. Porque como já sabemos, o “querer sempre mais” está diretamente ligado à ideia de felicidade. É feliz quem consegue ter mais. Mas será mesmo?

Aí dizem que é desculpa de fracassado para fugir da determinação de mudar a própria vida. Só que o conceito de fracasso pode não ser o mesmo para todas as pessoas. O fato é que cada um devia cuidar da própria vida e deixar os outros com as vidas que querem ter, mudando quando acham que devem.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Passado



Foto por mim - 21/09/2014


Objetos representam acontecimentos
Músicas representam momentos
Cheiros representam pessoas, lugares
Fotos representam fatos
Uma infinidade de representações, incontroláveis...
O que seria exatamente de nós sem as lembranças?
Ainda que machuquem, despedacem, angustiem...
Também sustentam o hoje, adicionam, temperam, colorem...
O passado está sempre lá, aberto à visitação
Gratuitamente para quantas vezes a vontade aparecer
Tentando matar parte da saudade que é imortal


Visito com certa freqüência
A nostalgia adentrou meu ser em algum momento da vida
E se enraizou para nunca mais sair
Mas hoje tenho calos nas mãos
E um coração que não sai mais do peito tão facilmente
Certo estou de que o passado sempre estará lá
Mas para ser visitado apenas!
Sorrateiramente e rapidamente... Sem muito apego.


O passado é passado, é lembrança, é saudade.
Querer revivê-lo é bobagem!
Os psicólogos dizem, os filósofos dizem, a realidade comprova.
E não hei mais de fazê-lo!


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ignorando o estresse



Fonte: http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/files/2014/02/estresse1.jpg
Certa vez me perguntaram como eu conseguia, em uma situação totalmente estressante, manter um sorriso no rosto e demonstrar serenidade. Eu achei o comentário engraçado e não soube exatamente o que responder, mas fiquei com aquilo na cabeça, tentando encontrar uma resposta. Acho isso aconteceu há mais ou menos um ano.

Hoje eu consigo perceber que era o meu comportamento involuntário responsável por manter o meu controle meio à situação. Sabe essas coisas que você faz e nem sequer percebe? Pois é.

É claro que me estresso, fico chateado, arranco os cabelos, falo palavrão, fico mal-humorado e até desconto nos outros. Momentos estressantes, principalmente quando se trabalha em uma empresa privada, são comuns. Contudo eles são momentos e momentos tem duração. Lembrar-se disso já faz uma pequena diferença na cabeça. E quando tal momento desagradável termina o alívio que vem é muito bom. É como fazer xixi depois de segurar muito tempo a bexiga cheia. Eu consigo, quase sempre, manter um sorriso e a serenidade porque no fundo sei que aquilo ali vai terminar.

“Mas você não fica contaminado pelo estresse do dia?” Na maioria das vezes não. Não tenho por que guardar a sensação ruim daquele momento e ficar revivendo tudo depois de já ter sido solucionado. O que quase sempre acontece é eu me sentir esgotado, com dor nos músculos, como se tivesse dançado o dia todo sem parar.

Foi quando li aleatoriamente um texto que falava sobre “mente sadia” que concluí que praticava o ensinamento dele sem sequer ter aprendido formalmente. O texto dizia que o tempo todo há elementos e fatos presentes no momento e em nossas existências pessoais que “justificam” uma atitude pessimista e rabugenta, ou uma atitude otimista e feliz e que tudo depende da nossa escolha. E escolher atitudes positivas e direcionar o pensamento para coisas úteis compensa todo o estresse sentido.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Os loucos são felizes



Como ousam julgar os loucos? Quando nem sequer conhecem a loucura, para tal infâmia. Os loucos são felizes. Eles não sentem as dores do mundo. Aquelas dores nas quais, por algum motivo - que um dia ainda vou conseguir entender -, nos agarramos com tanta intensidade. Dor para os loucos é mera consequência desastrosa de suas ações. Eles não se apegam a nada e, por isso, não precisam se desapegar. Não têm expectativas. Eles apenas vivem. Os loucos não têm obrigações. Compromisso é tudo aquilo que fazem por eles. Repito, os loucos são felizes. Infelizes somos nós que criamos problemas para ter pelo o que sofrer. Talvez, inconscientemente, buscando a insanidade para nos livrarmos da realidade.

domingo, 2 de novembro de 2014

Ela




Ela não gostava de ninguém
Gostava daqueles que faziam força para compreendê-la
Seu coração era grande
Mas ela o escondia dentro de uma caixa de sapatos caros

Ela amava a chuva
E pedia por chuva sempre que o céu estava limpo
Sentia-se implicitamente elogiada
Nuvens de chuva combinavam com a cor de seus olhos

Ela se sentia livre ao correr pelas ruas
Seus vizinhos chamavam-a de maluca
E quanto mais loucura lhe atribuiam,
Mais coragem tinha de fazer o que bem entendia

Ela tocava seus instrumentos musicais invisíveis
Cantarolava alto quando estava feliz
Arriscava passos de dança em ruas movimentadas
E ignorava olhares desdenhosos

Ela era linda
E sua beleza podia ser maior ou menor
Tudo dependia de sua vontade
Ou de olhos de mentes bem abertas

Ela tinha medo de toques humanos em excesso
Tinha medo de sorrisos muito fáceis
Corria de demonstrações muito intensas de afeto
E alimentava diariamente sua desconfiança

Ela sonhava sempre que podia voar
E gostava de voar acima de cidades grandes
Já tinha visitado meio mundo em sonhos
E sempre acordava com um sorriso de conquista nos lábios

Ela era destemida, quase sempre
Andava de ónibus sem rumo certo
Desenhava carinhas sorridentes por lugares que achasse bonitos
E vivia sorrindo olhando para o céu

Ela era tão feliz
Mas um dia tentou se encaixar no mundo
Foi perdendo sua loucura, dia após dia
Até que se tornou um pessoa normal

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Oração



  

Meu Deus,

Primeiramente preciso agradecer por tudo que acontece e também pelo o que não acontece. Hoje eu compreendo que há um significado para todas as coisas. Obrigado por tudo!

E quero pedir discernimento para conseguir lidar com tudo aquilo que não compreendo, pois há tantas coisas... Os anos passam e aprendo muita coisa, mas sempre há os resquícios do incompreendido e isso é o que mais pesa, algumas vezes.

Por favor, dê-me coragem para enfrentar todos os medos que já existem e todos os que forem surgindo pelo caminho. E me faça ser inútil para as pessoas ao meu redor, sem que eu perca meu valor. Quero ser inútil, pois quero ser amado pelo que sou e não pelo que faço. E que a minha doação, do que quer que seja, seja sempre de bom grado, sem espera alguma de retorno, como deve ser.

Abençoe cada pessoa boa que fizer parte da minha vida e também as que não fazem, mas de longe me desejam o bem. Abençoe também as pessoas ruins e dê a elas oportunidades para terem coisas boas e preencherem suas vidas, para que não tenham tempo de querer as vidas alheias para si.

Eu te peço ainda, meu Deus, que não deixe a tolerância virar um conceito retrógrado e que ela esteja mais presente na vida das pessoas. E onde pintar o mínimo que for de ódio, que o amor o substitua.

Que as famílias não se desfaçam por efemeridades e que o amor reafirme qualquer laço feito, consangüíneo ou não.

Amém!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Que eu sempre saiba amar!



Que eu nunca, nessa vida, perca a vontade e a capacidade de amar! Ainda que meu amor seja rejeitado, mal interpretado, difamado, rotulado... ou a merda que for! Ainda que o mundo se consolide em outro. Ainda que a reciprocidade se extinga.

Que eu ame além de todo medo de amar! Que eu ame, mesmo que calado! Pois o amor faz bem, mesmo quando faz mal. E quando fizer deveras mal, que caminhe lado ao lado com a sutileza, convertendo-se em querer bem no final!

Que eu sempre ame nessa vida! E como disseram por aí: "Que seja eterno enquanto recíproco!"