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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Ainda sobre o tempo

Leia ouvindo a playlist abaixo:



Fonte: http://senta.la/1ve1k
Antigamente sobrava tempo. Podíamos gastá-lo com muitas horas de sono, até mais do que era realmente preciso. Podíamos assistir toda a programação de um canal qualquer de TV, sem preocupações. Ou podíamos simplesmente sentar na porta de casa e ficar horas vendo o movimento dos carros e pessoas que passavam. Havia até tempo para reclamar de tédio, por ter tanto tempo.

Depois de tanto tempo sem sequer notar o tempo, é tão estranho perceber que ele não é tão grande assim e que dentro dele não cabe mais todas as ações desejadas. A sensação que fica é a de que o dia parece faltar horas e qualquer coisa que você faça de diferente daquela rotina, bagunça tudo e não dá pra fazer mais nada. Milésimos de segundo de sono se tornam coisas importante na sua vida, já que perdê-los é como te colocar próximo ao conceito de zumbi no outro dia.

Aí um dia aparece um adulto para fazer você acordar para a realidade. Ele enfia na sua cabeça que você já entrou para o grupinho dos adultos, pois você já é um adulto. Ou, se você é bem esperto, descobre isso sozinho. E você tem que aceitar sem reclamar, pois não passa de uma verdade e mais, vai ter que aprender a administrar o seu próprio tempo, deixando de lado muitas coisas que nada acrescentam no seu dia, para que as coisas que realmente importa ganhem foco. Por um bom tempo você vai sofrer em ter que abandonar suas coisas inúteis e cheias de felicidade.

Chega um momento em que você percebe que o tempo deixou de ser grande e você vive sonhando e aguardando ansiosamente por dias em que ele aumente, como nos feriados, folgas e nas férias. Apenas para tentar fazer coisas que normalmente não dá tempo nos dias de rotina. Mas aí, nesses dias de muito tempo, quase sempre, você faz uma parceria com o nada. Fazer nada é tão bom! E assim a vida vai seguindo, com seu desejo incessante por mais e mais tempo, para você fazer suas coisas legais ou fazer nada novamente.

domingo, 16 de agosto de 2015

Hoje o tempo voa, amor

laughing
Fonte: https://flic.kr/p/6u5SXv
Bate uma felicidade tão grande quando se faz algo que se está com vontade. Pode ser aquela coisa mais simples como sair, abrir os braços, fechar os olhos e sentir o vento. Ou ligar o som e começar a dançar pela casa. Sem falar em loucuras, tipo cometer uns excessozinhos de vez em quando, tomar um porre daqueles e morrer de ressaca no outro dia, arriscar uma conversa com um estranho, enfiar a cabeça na janela e gritar alguma coisa para o mundo... Que graça tem a vida se não for para ser vivida? Do jeito que for. Independentemente da fase em que você se encontra naquele momento.

Há certo tempo adotei para minha vida a filosofia de “fazer sempre aquilo que estou com vontade”, após ganhar um conselho fantástico de um primo mais velho. Decidi insistir nisso. Fazer o que estou com vontade, desde que não me prejudique ou aos outros. Aos outros principalmente. E como isso tem feito diferença no meu dia a dia! Claro que não é uma coisa que resolve todos os percalços da vida, mas é um plus na caminhada.

Somos nós que vamos criando limites para nossa vida, com nossos cérebros cada vez mais over pensantes, tentando nos encaixar aos modelos da sociedade. Só que a sociedade sempre foi e sempre será muito cruel nos julgamentos e nas cobranças. Como li em um texto muito bom por esses dias: "Não importa como eu escolha viver a minha vida, as alternativas vão sempre estar erradas para os outros". Então, se o que você vai fazer para aproveitar sua vida sempre será errado para alguém, por que você vai deixar de fazer? Repetindo, acho que basta que sua ação não prejudique os coleguinhas.

Todavia, uma das coisas ruins de sermos humanos é estarmos suscetíveis ao causar mal inconscientemente aos outros, por alguma palavra dita sem pensar, por algum sentimento bobo nutrido, por nossas manias, nossos comportamentos padrões e por aí vai... Infelizmente não dá pra ser perfeito. Tem que ir tomando cuidado durante a prática das loucuras e ir se perdoando pelos erros e descuidos nossos, sempre caindo no clichê de ir aprendendo com eles.

Ainda que a sua vontade de aproveitar a vida naquele dia seja deitar na cama com um pote de sorvete, vendo seriado, só de satisfazê-la vai te dar prazer. Se não está legal, procure outra vontade! Precisamos aproveitar a vida, de alguma maneira, pois o tempo parece que tem passado com uma velocidade ainda maior que há alguns anos e o sentimento de não ter vivido o suficiente vem com muita facilidade.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Padrões



Por que será que é tão difícil entender as pessoas que não se interessam em fazer parte dos padrões gerais estipulados pela sociedade? Quer dizer, entender aquelas que têm coragem de NÃO fazer parte, já que a maioria se sente obrigada a seguir os estereótipos de beleza, de comportamento, de estilo de vida...

Tudo bem que se você não respeitar pelo menos alguns dos tais padrões, você será imediatamente taxado de louco ou algo do tipo. Andar sempre vestido ou evitar fazer coisas muito íntimas em público, por exemplo, são comportamentos necessários. Mas o que tem de mal em uma pessoa gorda não se importar em continuar sendo gorda? O gay ser efeminado e a lésbica masculinizada? Qual o problema em ser uma pessoa de pouca ambição e estar contente com o nível financeiro que já possui? Qual o problema de uma mulher dizer que não quer casar ou ter filhos?

É tanta coisa imposta e quase obrigatória, e é tanta gente presa a ideias e conceitos que nunca foram exatamente seus, vivendo em uma vida que não é aquela que traria a devida satisfação. Estamos imersos em uma cultura social que vive fazendo lavagem cerebral em nossas cabeças, fazendo-nos querer tão mais além do que a nossa própria vontade. Porque como já sabemos, o “querer sempre mais” está diretamente ligado à ideia de felicidade. É feliz quem consegue ter mais. Mas será mesmo?

Aí dizem que é desculpa de fracassado para fugir da determinação de mudar a própria vida. Só que o conceito de fracasso pode não ser o mesmo para todas as pessoas. O fato é que cada um devia cuidar da própria vida e deixar os outros com as vidas que querem ter, mudando quando acham que devem.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ignorando o estresse



Fonte: http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/files/2014/02/estresse1.jpg
Certa vez me perguntaram como eu conseguia, em uma situação totalmente estressante, manter um sorriso no rosto e demonstrar serenidade. Eu achei o comentário engraçado e não soube exatamente o que responder, mas fiquei com aquilo na cabeça, tentando encontrar uma resposta. Acho isso aconteceu há mais ou menos um ano.

Hoje eu consigo perceber que era o meu comportamento involuntário responsável por manter o meu controle meio à situação. Sabe essas coisas que você faz e nem sequer percebe? Pois é.

É claro que me estresso, fico chateado, arranco os cabelos, falo palavrão, fico mal-humorado e até desconto nos outros. Momentos estressantes, principalmente quando se trabalha em uma empresa privada, são comuns. Contudo eles são momentos e momentos tem duração. Lembrar-se disso já faz uma pequena diferença na cabeça. E quando tal momento desagradável termina o alívio que vem é muito bom. É como fazer xixi depois de segurar muito tempo a bexiga cheia. Eu consigo, quase sempre, manter um sorriso e a serenidade porque no fundo sei que aquilo ali vai terminar.

“Mas você não fica contaminado pelo estresse do dia?” Na maioria das vezes não. Não tenho por que guardar a sensação ruim daquele momento e ficar revivendo tudo depois de já ter sido solucionado. O que quase sempre acontece é eu me sentir esgotado, com dor nos músculos, como se tivesse dançado o dia todo sem parar.

Foi quando li aleatoriamente um texto que falava sobre “mente sadia” que concluí que praticava o ensinamento dele sem sequer ter aprendido formalmente. O texto dizia que o tempo todo há elementos e fatos presentes no momento e em nossas existências pessoais que “justificam” uma atitude pessimista e rabugenta, ou uma atitude otimista e feliz e que tudo depende da nossa escolha. E escolher atitudes positivas e direcionar o pensamento para coisas úteis compensa todo o estresse sentido.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Os loucos são felizes



Como ousam julgar os loucos? Quando nem sequer conhecem a loucura, para tal infâmia. Os loucos são felizes. Eles não sentem as dores do mundo. Aquelas dores nas quais, por algum motivo - que um dia ainda vou conseguir entender -, nos agarramos com tanta intensidade. Dor para os loucos é mera consequência desastrosa de suas ações. Eles não se apegam a nada e, por isso, não precisam se desapegar. Não têm expectativas. Eles apenas vivem. Os loucos não têm obrigações. Compromisso é tudo aquilo que fazem por eles. Repito, os loucos são felizes. Infelizes somos nós que criamos problemas para ter pelo o que sofrer. Talvez, inconscientemente, buscando a insanidade para nos livrarmos da realidade.

domingo, 20 de julho de 2014

Mude algo



Você percebeu que o lado mais torto tinha uma leve retidão. As cores mais destacadas não eram mais as mesmas. Você ganhou um novo filme favorito. Sua cama está mais perto da janela. Você passou a sentir um raio do sol no seu dedão do pé, durante as primeiras horas da manhã. A lua te conquistou. Suas pernas não são tão finas afinal e seu cabelo pode ser mais curto e você continuar bonito. O vizinho de cima só tem a cara de bunda. Sua chefe gosta de abraço tanto quanto você. Há um pé de maracujá do lado do seu prédio e tem um casal de corujas morando nele. Filme de terror pode não ser tão aterrorizante assim. A moça da limpeza sorri lindamente quando recebe um "bom dia". Domingo é um dia totalmente produtivo. No caminho alternativo para a parada de ônibus tem uns pés de amora que quase ninguém vê. Jenipapo tem um gosto muito bom.

De um momento sozinho, você passou a compreender suas próprias loucuras e descobrir que o mundo tem muito mais do que você imaginava. E foi percebendo, durante o percurso, o sentido das coisas sendo reformulado, as importâncias se perdendo e novos valores brotando de conceitos quebrados propositalmente. Você começou a enfatizar coisas antes efêmeras, a ouvir outras músicas, a entender outros assuntos, a ver outros caminhos, a compreender outras pessoas... Outras características desabrocharam e alguns comportamentos foram substituídos.

Mude algo e entenda.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Despedida




Não importa se é a primeira ou a última vez, despedir-se é sempre triste demais. Quase nunca é uma escolha, mas é sempre um baque, sempre machuca, sempre dói. Despedir-se é como perder um pedaço de si e ter que aprender a conviver com aquele buraco formado, com aquela falta. É ter que reaprender a viver sem aquela presença, sem aquele carinho, sem aquele cheiro, aquele abraço, sem tudo aquilo que a pessoa representava. Despedir-se produz saudade em abundância, na forma mais melancólica e dolorida que existe. Causa desespero, desânimo ou depressão. E infelizmente, o que nos resta é viver aquele luto nascido da despedida e aguardar o momento em que a saudade não doa mais, por que na vida sempre haverá despedidas e não há nada que mude isso. Só nos resta lamentar até o dia em que as boas lembranças tenham prevalecido sobre todo sofrimento.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Os estranhos porquês que ouvimos em casa



É falta de água.
É por que tomou leite.
Foi o sereno de ontem.
É por que brincou com fogo.
Foi o pequi com sorvete.
É por que tomou muito banho durante o dia.
É por que comeu mais de dois ovos no dia.
Foi o bolo quente que você comeu.
É por que dormiu com a cabeça molhada.

Seja por uma dor física, de uma gripe ou resfriado ou de um simples mal-estar, geralmente, os motivos acima, dentre vários outros, são os que ouvimos das pessoas de casa quando fazemos alguma reclamação.

Por exemplo, você acorda com dor de cabeça e reclama com a sua avó e imediatamente ouve: “Foi por causa do computador!”. Para tentar consertar, você diz que não usou o computador na noite anterior e logo ouve um “É porque você dormiu tarde”. E se continua com as suas justificativas, vai ouvindo das mais diversas explicações. Claro que, em alguns casos, uma dor de cabeça pode até ser culpa do computador, mas é engraçado que a culpa seja única e exclusivamente daquele trambolho tecnológico.

Para os mais velhos, há uma frequente necessidade de culpar uma ou mais de nossas ações pelo o que nos aflige. E são explicações nem sempre plausíveis. Alguém me responde por quê? Não sei se são apenas crenças passadas de geração para geração, ou simples superstições compartilhadas e que hoje, aos poucos, vai perdendo a força por conta da ciência. Mas é algo muito engraçado de se ouvir às vezes. Creio que algumas coisas acabam tendo um pouco de verdade, como algumas misturas que costumamos fazer ao comer, contudo não deixa de ser cômico ouvir que sua barriga está doendo porque você comeu ovo e tomou suco de manga ou que você acordou espirrando porque dormiu com o cabelo molhado.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Quando a esperança nos fode



"Esperança é a última que morre." Vixe!

Quando ela, a tal verdinha, não representa coisas boas, tem o poder enorme de literalmente nos foder. Desculpem-me o termo, mas se pararmos pra pensar, percebemos que tem verdade nisso aí.

Vamos a um exemplo...

Você terminou um namoro extremamente turbulento. E você era perdidamente apaixonado pela criatura, mas o universo conspirou desde sempre contra vocês. Aquilo não daria certo, nem com reza ou simpatia e tudo era completamente evidente. Consequentemente veio o término, contudo você nutria a esperança de que tudo pudesse se acertar e que vocês viveriam felizes para sempre. Com isso, você foi perdendo oportunidades de fazer outras coisas por você ou testar um relacionamento com outra criatura.

Nutrir esperança nem sempre é uma coisa boa. Ela te prende e te atrasa. Faz você querer sempre movimentar o seu passado com a crença de que, dessa vez, as coisas podem funcionar. Não necessariamente em um relacionamento. Esperança pode foder com qualquer situação da sua vida em que você se apegue demais a ela. Isso por que você estará tão preocupado em consertar coisas estragadas, que não vai dar válida atenção aquilo que ainda nem aconteceu. Sem falar na inércia que ela pode causar na sua vida. Você vai ficar lá parado, esperando as coisas melhorarem e vai deixar de agir.

É, não é fácil abandonar seus pedaços pelo caminho, mas se são pedaços podres, não tem porquê ficar tentando, incansavelmente, reanimá-los, uma vez que é possível colocar algo muito melhor no lugar.

Esperança é parente da expectativa. As duas podem atrapalhar nossas vidas e com certeza nos foder, dependendo do poder que damos a elas. O jeito, então, é não ter esperança e expectativas? Não! O ser humano não evoluiu ainda a esse ponto. O jeito é não ceder tanto às exigências das duas.

domingo, 12 de maio de 2013

Mãe



Mãe é o que mais se aproxima do significado do amor. Mãe é remédio, é antisséptico, é curativo. É a cura para qualquer coisa. Mãe tem poder de acalmar tormentas emocionais apenas com as mãos, ou os olhos, ou a voz. Colo de mãe é o lugar mais reconfortante do mundo inteiro. Basta se deitar por alguns minutos para  tudo ficar bem. Mãe é pura compreensão quando não existe tal coisa. É perdão sem fim. Mãe é pressentimento, é interpretação exata de sentimento. Mãe apenas olha e entende tudo. Mãe é conexão sem explicação; coisa de Deus. Contudo, mãe também é preocupação, é superproteção, é ciume, é por quê, é noite mal dormida. Ou melhor, várias noites mal dormidas. Mãe é a pata cuidadosa, a leoa feroz. Mãe é pura fortaleza, mesmo quando aparenta fragilidade. Mãe é professora, é advogada, é psicóloga, é enfermeira... Mãe é o que ela quer ser, basta que seus filhos precisem. Mãe é presente de Deus; valiosíssimo, único, insubstituível. Como dizem, mãe é mãe. Uma das melhores coisas do mundo.

E desculpem-me as outras mães, pois a minha é a melhor do mundo!

Feliz dia das Mães!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Fugindo da rotina




Costumeiramente ao ir trabalhar, quando não levo comida de casa, passo em algum lugar para comprar. Certo dia, soltaram no trabalho o seguinte comentário: “Nossa! Você é bastante inovador na hora de comer. Sempre traz alguma coisa diferente.”. Eu respondi com a pergunta: “Por que eu deveria comer sempre a mesma coisa se eu tenho a possibilidade de variar o cardápio?“. Engraçado perceber que até nisso as pessoas prestam atenção.

Após a minha resposta-pergunta fiquei matutando sobre o comentário. Não sei das outras pessoas, mas eu enjoo de comer sempre a mesma coisa. Ter a possibilidade de variar o que como muito me agrada e afirmo que não se trata exatamente de gastar mais com comida. Muitas vezes encontro pratos com preços bem menores justamente por sair por aí procurando.

Ampliando a questão, preciso dizer que não tenho apreço nenhum por coisas rotineiras. Não enjoo apenas de comer a mesma coisa sempre. Enjoo de pegar o mesmo caminho para ir para o trabalho, enjoo de ouvir sempre as mesmas músicas, enjoo de ir às mesmas festas e aos mesmos lugares, enjoo de usar o cabelo da mesma forma... 

O mundo é grande demais e cheio de possibilidades demais para viver somente do mesmo; há muito para conhecer. Viver eternamente de mesmice é viver limitado, em minha opinião. Claro que compreendo quem consegue encontrar conforto e estabilidade na rotina. Ela traz esse tipo de sentimento e há quem goste. Há quem goste de tudo, não é mesmo?! Porém acho que desbravar o mundo e suas trilhões de coisas seja bem mais emocionante e enriquecedor. 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Coisas entaladas




Não faço ideia de quantas vezes deixei que frases ficassem entaladas na garganta por achar que seria loucura dizê-las. Nesse momento, por exemplo, é exatamente o que me ocorre. Estou com uma vontade enorme de distribuir toda minha admiração, todo o meu apreço, todo o meu carinho. Tudo de mais sincero que vêm à mente, assim, inesperadamente. Que vontade de falar!

Mas sei que logo viria em minha direção alguma desconfiança, ou o incisivo questionamento acerca de um suposto interesse escondido entre as minhas palavras. Diriam muitas coisas, eu sei. Os seres humanos não estão preparados para serem admirados sem um motivo aparente. E quantos seres humanos admiráveis existem por aí! Meu Deus, o Senhor variou bastante nas características, hein. E como é bom vê-los sendo o que são! Alguém consegue entender o meu êxtase?

Talvez eu realmente seja louco pelo simples fato de querer elogiar quando menos se espera, de querer abraçar quando sinto vontade, de querer dizer para certas pessoas que eu as acho lindas e incríveis. Talvez eu tenha mesmo perdido a noção quando vem a vontade de querer estar perto de quem instiga o meu interesse. Pessoas que nem sequer conheço, mas que forçaria um papo tranquilamente só para ter certeza de que são tudo ou mais do parecem ser. 

É... Por tudo que a sociedade dita, reconheço que seria loucura dizer àquela mulher bem vestida e cheia de elegância, que vai pelo mesmo caminho que eu todos os dias, quão linda a acho. Seria mesmo estranho parar aquele senhor, no qual vi pela primeira vez, apenas para dizer que acho charmoso seu cabelo grisalho, penteado para trás. E insano seria ter vontade de interromper a leitura daquele rapaz, sentado na beira da fonte, apenas para fazer algumas perguntas sobre o livro que está lendo. É tudo loucura, eu sei. É tudo o que não fazem.


Ando, quase sempre, com vontades assim. Há dias em que elas são ainda mais absurdas, se comparadas com o que geralmente taxam de absurdos. Por isso, as palavras continuam sempre entaladas na garganta. O que me resta é ser um louco consciente, limitado a meu ver. E algumas vezes, vou me soltando com quem me dá liberdade. Porque, graças a Deus, existe outros loucos como eu! Ainda que em pequenas quantidades.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Histórias repetidas







Sabe as novelas em que nos créditos aparece a mensagem “qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência”? São entrelinhas que valem para vida de qualquer pessoa. É incrível como as histórias sempre se repetem, mudando apenas os personagens. Às vezes, mudando também os contextos.





  • A menina começa a ficar com o menino. Ela se apaixona e os dois mantêm um romance por algum tempo. Repentinamente o menino decide que é hora de pararem de ficar, pois não é momento para se ter um relacionamento. A menina, com certa relutância, aceita a decisão. Passado algum tempo (talvez em curto espaço de tempo), o menino muda o status do Facebook para namorando ou mesmo para casado. – História bem parecida com a do filme “500 dias com ela”.
  • A família reúne-se para o Natal. Todos socializam da melhor maneira possível, comendo, bebendo e compartilhando novidades. Do nada, um dos assuntos traz uma discussão desagradável. Os humores se exaltam, as vozes se alteiam, copos são quebrados e por pouco não acontece uma briga física. Termina com um dos familiares indo embora ofendido. Passado um tempo, estão todos confraternizando juntos novamente.
  • Duas amigas quase inseparáveis, daquelas que compartilham segredos e gostos, apaixonam-se pelo mesmo rapaz. Uma consegue “pegá-lo” e a outra fica ressentida chupando dedo. A amizade fica temporariamente abalada.
  • No primeiro dia de aula de uma faculdade, um garoto chega atrasado uma vez e ainda cochila na aula. Um dos colegas de classe o observa. Durante os dias seguintes, na mesma semana, o garoto repete o comportamento de chegar atrasado e cochilar. O garoto que o observava logo o classifica como mau aluno, como preguiçoso. Contudo, quando chega a época de provas, o suposto preguiçoso tira ótimas notas, se não as melhores da turma. Ele se manteve cansado por um tempo, possivelmente, por estar com problemas em casa, mas seu comportamento, sem explicações, foi mal interpretado e sua personalidade logo rotulada. – O tal efeito halo.
  • A menina vivia afirmando que nunca faria certa coisa. Repetia incansavelmente para Deus e o mundo que nunca faria aquilo. Um dia, “paga língua”.



Estes foram apenas alguns exemplos dos mais comuns; e alguns dos maus. Entretanto, as histórias boas também se repetem, uma vez que os finais felizes também existem. E o dito “Acontece nas melhores famílias” é usado por um motivo. Então, repetem-se as dores, repetem-se as alegrias.

Acredito que seja impossível mensurar a quantidade de histórias repetidas pelo mundo.  É bem provável que sejamos as criaturas mais previsíveis e repetitivas do universo. Mudam-se os tempos, os fatos e as situações, mas nossas ações vão seguindo sempre uma mesma linha.

Algumas vezes, é possível aprender com os erros de outra pessoa. Em outras vezes, teremos que passar pelas mesmas situações para compreender. E assim, vamos vivenciando nossas próprias histórias e as vendo se repetir em outros contextos.

"Não é verdade que as pessoas se repetem. O que se repete são as situações." (Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Adeus, 2012! Feliz 2013!


Algumas vezes o ano não foi assim grande coisa. Ou talvez o ano tenha sido bom, mas estávamos tão estressados, cansados e envolvidos pelos problemas que acabamos não dando a devida atenção à parte boa. Mais uma vez, é o tal referencial alterando os sentidos, para o bem ou para o mal. 

Aí, por um instante, aparece uma previsão de fim do mundo e traz intensidade às coisas. Faz com que muita gente aja de forma mais louca e despreocupada. Contudo, no final, o mundo continua inteiro e quase toda intensidade vai para o saco. Digo quase toda, porque algumas pessoas aprendem que intensidade é tempero para melhores emoções. E o mundo não acabar mostra ainda mais o sentido de ‘pontos finais’ e de renovação. O quanto é possível abandonar conceitos defasados, reinventar-se e recomeçar o que quer que seja. 

Chegam os últimos dias do ano e começamos a refletir e tentar tirar algum aprendizado de tudo o que aconteceu. Mesmo que não seja voluntário, nossa cabeça já faz toda a retrospectiva no final de cada ano. Revemos atitudes, reavaliamos pessoas, culpamos e culpamo-nos, perdoamos e perdoamo-nos, amamos, desamamos, rimos, choramos e outras milhões de ações. Um ciclo, de fato, interminável. E percebemos que realmente aprendemos, que mudamos comportamentos, que crescemos. Como sempre foi e sempre será. E que bom que o mundo gira! 



Que 2013 venha com tudo! Que haja muitos “foda-se” para o que atrasa a vida. Que as pessoas tenham cada vez menos tempo para pensar em fazer o mal. Que o os julgamentos vindos de todos os lados se tornem apenas sussurros sem importância. Que aprendamos sempre a escutar mais que falar e que falemos bem menos sobre o que não nos diz respeito. Que a corrupção se dissolva cada vez mais e a justiça se sobressaia. Que os sentimentos sejam mais verdadeiros. Que os abraços sejam mais valorizados e postos como poderosos remédios. Que os elogios não sejam recebidos com desconfiança e que sempre façam parte das palavras ditas às pessoas ao redor, com sinceridade. Que as pessoas abandonem preconceitos e conceitos atrasados. Que a felicidade esteja sempre ligada a coisas simples, ações simples. Que seja um ano cheio de coisas boas e bons momentos! Que o mundo seja cada vez um lugar melhor. E que haja bem mais amor, fácil e de graça. 

Feliz 2013 a todos! Que Deus nos abençoe!


domingo, 9 de dezembro de 2012

O amor é cego?

amor-cego-1

Todos já ouviram a expressão “O amor é cego”, geralmente com o pouquíssimo sentido literal. Acho a expressão totalmente válida, mas gosto de dar uma interpretação mais romântica para ela.

Normalmente dizem que o apaixonar-se é colocar de lado todo o senso crítico e ver, por exemplo, o feio como bonito, as partes ruins como boas e por aí vai. Concordo que em partes é assim, porém o amor vai além do físico e do concreto. Há muita coisa abstrata envolvida.

Não acho que seja uma perda de senso crítico e sim uma valorização de coisas que agradam somadas a uma aceitação carinhosa dos defeitos. Toda a parte bonitinha se tornando bonitona, em uma ênfase sem fim nos detalhes pequenos. E os defeitos acabam por completar o que dá charme ao conjunto da obra.

Não é verdade que quando gostamos de alguém, independente do sentido do verbo, este alguém se torna perfeito pra gente? Então! O conjunto dos defeitos e qualidades daquela pessoa a tornam única. E você gosta dela daquele jeitinho. Você gosta do sorriso torto, do jeito desastrado, do cabelo desgrenhado, daquele cinto brega que ela insiste em usar, da mania feia de roer as unhas, daquele nariz enorme, das pernas finas...

Depois de conquistado, não existirá mais no mundo pessoa igual. Por mais beleza que houver. A sua pessoa é a mais bela!

sábado, 24 de novembro de 2012

Sofrer é perda de tempo!

sad

Algumas vezes é preciso repetir incansavelmente que sofrer é perda de tempo. Tem que repetir até o inconsciente acreditar e começar também a repetir. 

Ou usar outras artimanhas mais ousadas/loucas: Tatuar a frase em algum lugar visível do corpo, escrever na testa, gravar um cd dizendo-a quatrocentas e trinta e três de vezes, colar nas paredes de casa, na geladeira, e por aí vai. 

O importante mesmo é acreditar no que a frase diz. Sofrer é perda de tempo!


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Esperam




Esperam que tenhamos diploma, pós-graduação, doutorado e mestrado.
Esperam que escolhamos a profissão correta, de preferência a de médico ou advogado.
Esperam que sejamos servidores públicos.
Esperam que queiramos sempre ter mais dinheiro.
Esperam que tenhamos nossa própria casa, carro e diversas outras coisas.
Esperam que estejamos sempre com alguém, ficando, namorando, transando.
Esperam que nos casemos.
Esperam que tenhamos filhos.
Esperam que sejamos educados e bem humorados.
Esperam...

O “esperar” e sua utilização constante pelas pessoas para as pessoas. Esperam sempre uma das outras. Na melhor das intenções, claro! Consequentemente vem o “ter que”. Assim “temos que” querer o que “esperam” de nós. “Ter que” desencanta tanta coisa, contudo pessoas pedem, a sociedade pede, a realidade pede.

Mas e o “gostar”? O “gostar” costuma ficar por último. A realidade mostra que são poucos os que conseguem fazer o que se gosta e serem bem sucedidos. Então o “gostar” é apenas um capricho? Pode ser.  Pode não ser. Depende do referencial. É relativo. Tudo é relativo. Não é?

“Equilibrar”. Eis aí, talvez, o remédio!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Gira mundo, gira



O mundo gira. O mundo gira sempre, sem nunca parar. E as coisas sempre acontecem, mesmo quando você para por algum motivo pessoal. Você parou e não o mundo. Do mundo mesmo, só Deus sabe. 

Algumas vezes você será bom e esse bom viajará por vários lugares, por várias pessoas. Será um bom estampado em paredes quaisquer, ou transmitido midiaticamente. Contudo, o mundo vai continuar girando e, repentinamente, você será ruim. Será ruim por conta de um passo errado, pelos seus próprios olhos, pela língua alheia, por um ‘não’ dado depois de tantos ‘sim’ ou, simplesmente, porque era pra ser. Mas um dia, talvez, você poderá ser bom de novo. 

Algumas vezes você vai girar junto com o mundo, sem sequer notar. Quando notar, já terá cabelos onde não tinha e falta deles em outros lugares. Verá que as linhas não são mais tão retas como costumavam ser, porém você está mais cuidadoso ao traçá-las. Você vai sentir saudade de você mesmo, daquele jeito divertido. Vai sentir saudade da quantidade de bons momentos que conseguiu agindo sem pensar, já que hoje você pensa demais. Pensar mais acabou sendo necessário. Você mudou, não é? Ainda que sem intenção. 

E você, que antes só se atentou com o passar dos anos quando quis chegar logo aos dezoito, hoje, queria conseguir voltar no tempo ou conseguir pará-lo. Mas acontece que o mundo gira e gira sem parar.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Tirando as próprias conclusões sobre as pessoas

Algo que me deixa extremamente revoltado: Você começa a conversar com uma pessoa e percebe que ela já tem uma opinião formada sobre você, porque alguém foi lá empurrar uma impressão, ou pior, "queimar seu filme". Coisa desagradável! Acho que todas as pessoas, boas ou ruins, têm o direito de serem conhecidas mais a fundo. E cada um deveria sempre querer tirar as próprias conclusões sobre os recém-conhecidos, independente das referências.
 
 
Que o mundo é cheio de gostos e opiniões, todos já sabemos. E isso vale também para o gosto com as pessoas. Algumas você gosta, outras não. Com algumas você se dá bem, com outras não. Isso é um fato comprovado. Outro fato é que o tempo para se gostar de alguém pode ser imediato, tipo amor à primeira vista, ou necessitar de um pouco de convivência para nascer empatia/simpatia, já que parte dos melhores detalhes costumam estar sob a superfície. E, em alguns casos, você só saberá se gosta ou não se se permitir conhecer tal pessoa um pouco mais. Opinião dos outros geralmente só atrapalha.
 
Claro que é sempre bom sermos alertados das merdas alheias, quando são coisas realmente ruins. Um amigo deve avisar o outro que a pessoa com que ele está se relacionando não vale um pequi ruído. Ainda assim, o mau elemento merece o direito da dúvida. As pessoas mudam. Algumas vezes mudam e acabam voltando a ser a bosta de antes porque ninguém acreditou nelas. Ou vendo por outra perspectiva, o que é ruim pra mim pode não ser pra você.
 
Não sei se mais alguém compartilha da mesma ideia, mas acho o processo de conhecer pessoas algo tão interessante e divertido. A sensação de ir ultrapassando as camadas da intimidade e ir descobrindo as melhores coisas da personalidade de alguém é muito boa. Tantos detalhes que vão surgindo no meio do caminho até o dia que você se percebe íntimo e vê que o nível dos assuntos atingiu um patamar alto, dando a possibilidade de falarem sobre qualquer coisa com naturalidade.  Sendo assim, se você corta no início este processo, por influência da opinião de um idiota qualquer, talvez você esteja perdendo a oportunidade de conhecer uma pessoa incrível. E pessoas incríveis existem! Algumas só não têm o hábito de deixar isso tão óbvio logo de cara.
 
 

domingo, 19 de agosto de 2012

Não se importe!

É extremamente prazeroso o sentimento de fazer algo com toda vontade, se deixando ser ridículo, sem se importar com o olhar repressor ou palavras alheias. O sentimento que vem do não se importar é uma delícia! Liberdade pura.

Talvez eu seja louco mesmo. Louco ou qualquer coisa parecida. Ou talvez o mundo que seja normal demais. Pois não tenho medo de parecer ridículo. Cometer um excessozinho, uma loucurazinha, arriscar uma dança louca, falar um monte de merda... Eu me divirto.

Julgar, reprimir, criticar, tirar sarro são coisas que sempre fazem, independente se você é a pessoa mais certa do mundo. Então a melhor decisão é mesmo a de não se importar. Quando você não se importa, coisas que incomodariam não incomodam, o que impediria de você se divertir à sua maneira não impede mais. Não existem repressões. Você é o que você quer ser naquele momento, se diverte de verdade e que se dane o resto!

O único problema é que não se importar não é tão fácil. Porém, uma vez que se consegue, a sensação é realmente muito boa.

Deixemos os loucos ridículos serem loucos e ridículos e sejamos loucos e ridículos também!

 

A Phoebe sabe do que estou falando.