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terça-feira, 3 de novembro de 2015

Silêncio escrito

Em um mundo imaginário, mas real...
Ou real de fato, mas imaginário...
A faca amarrada ao pensamento dilacerou
Cortou fundo, sem sujeira
Fez sentir um desconforto nas entranhas
Pressão no peito. Inquietude
Muitas vezes e parou.
Torpor.

Reclamar? Para quê? Por quê?
Prefiro o silêncio
O silêncio já virou pele, pele sobre a pele
Tornou-se abrigo, conforto e morte
Covardia disfarçada
Tornou-se mudança de perspectivas
E de certezas
Um mergulho de cabeça no egoísmo
Assertivo pois

Encarar a solidão e passar a apreciá-la é um pecado aceito
Loucura, talvez digam
Teatro, talvez já disseram e ainda dizem
O fato é que não importa mais
O mundo gira, com ou sem compreensões
Com as muitas tempestades de julgamentos

Eu fico com o silêncio!
Com o egoísmo
Com o nada bem aproveitado
Com o que vem de bom grado
E sempre vem em abundância, obrigado!

Danço com a solidão sorrindo
Distribuo sorrisos
Abraço a gentileza
E amo muito!
Afinal, não aprendi ser diferente
E agradeço por saber enxergar além do comum
Por que apesar de tudo, a vida é linda!

E o mal...
O mal vai coexistindo, pois o bem precisa dele.

Fonte: https://pixabay.com/p-799598/?no_redirect

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Realidade?



IMG_20140810_174900[1] Foto: BR020 10/08/2014, por mim

Realidade é a realidade. Pura, das coisas da vida, cruel, sem pormenores. É aquela que move o mundo, que faz as pessoas caminharem para frente, imersas e direcionadas pelos seus objetivos. Realidade vem com toda força que deram a ela e te bate na cara com toda força, para te fazer acordar e andar sem vacilo. Ela é o real do mundo, sem metáforas, sem enfeites inventados. Sou ciente dela. Sou arrastado por ela. Mas vez ou outra reluto, enfrento, teimo, corro para o imaginário. Porque viver apenas de realidade é ser correto demais; é abraçar tudo o que é imposto, reprimindo vontades. Então eu enfio sonho no meio, corro para as ficções, vejo filmes, viajo no teto do meu quarto, crio estórias, vivo estórias. Não sei como seria o mundo sem as artes. É o meu refúgio, meu conforto, onde eu posso relaxar, posso recriar monstros gigantescos e poderes em mim para enfrentá-los. Posso esvair o amor que às vezes sobra. Posso viver infinitos finais felizes e dramatizar momentos apenas para causar mais emoção. E volto à realidade, porque alguém disse que viver só de imaginação é coisa de louco e até hoje não consegui provar que louco mesmo é quem vive apenas de realidade.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Sorridente



Foto: Felipe Souza

As pessoas achavam estranho vê-lo assim, caminhando e sorrindo do nada e para o nada. Felicidade, pra muita gente, tinha que ter um motivo ou uma explicação plausível, dentro de algum contexto com sentido. Porém ele havia descoberto há algum tempo que dava pra sentir o mínimo que fosse de um bom sentimento por dia. Era possível e deveria ser obrigatório já que fazia tão bem. Situações chatas e momentos desagradáveis sempre existiriam e ele tinha isso em mente, o que era muito bom. E sua maior descoberta foi que se ele encontrasse alguma coisa qualquer pelo o que sorrir, as coisas ganhariam outra perspectiva. Era um comportamento incomum, se comparado ao resto do mundo. Os seres humanos ao seu redor não entendiam. Quer dizer, alguns conseguiam entender, outros ignoravam e outros torciam o nariz e criticavam. "Como pode ser tão sorridente?! Não deveria ser assim. Sorrir assim é coisa do passado! O mundo é outro." Mas ele era teimoso e insistia na sua descoberta. Bom para ele. Sorrir sempre tornava as coisas chatas suportáveis e, quase sempre, conseguia desmanchar carrancas. Anos passaram meio a sorrisos sem motivo, até que ele descobriu o abraço gratuito e inesperado. Desde então, tudo passara a ser sorrisos e abraços.




domingo, 12 de maio de 2013

Mãe



Mãe é o que mais se aproxima do significado do amor. Mãe é remédio, é antisséptico, é curativo. É a cura para qualquer coisa. Mãe tem poder de acalmar tormentas emocionais apenas com as mãos, ou os olhos, ou a voz. Colo de mãe é o lugar mais reconfortante do mundo inteiro. Basta se deitar por alguns minutos para  tudo ficar bem. Mãe é pura compreensão quando não existe tal coisa. É perdão sem fim. Mãe é pressentimento, é interpretação exata de sentimento. Mãe apenas olha e entende tudo. Mãe é conexão sem explicação; coisa de Deus. Contudo, mãe também é preocupação, é superproteção, é ciume, é por quê, é noite mal dormida. Ou melhor, várias noites mal dormidas. Mãe é a pata cuidadosa, a leoa feroz. Mãe é pura fortaleza, mesmo quando aparenta fragilidade. Mãe é professora, é advogada, é psicóloga, é enfermeira... Mãe é o que ela quer ser, basta que seus filhos precisem. Mãe é presente de Deus; valiosíssimo, único, insubstituível. Como dizem, mãe é mãe. Uma das melhores coisas do mundo.

E desculpem-me as outras mães, pois a minha é a melhor do mundo!

Feliz dia das Mães!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

O pote de sorvete



Eram dias daqueles mais quentes do verão, com a temperatura acima dos trinta graus. Os corpos todos suavam em bicas e caminhar ao sol era tido como tortura. Momento oportuno para ficar com pouca roupa, para tomar no mínimo dois banhos e beber muito líquido. Momentos nos quais até quem não bebia muita água mudava de atitude.

Abençoados aqueles que tinham ar condicionado em casa e sofriam menos com o calor. Para o resto, sobravam apenas as coisas geladas, para comer, beber ou passar no corpo. Ou ainda, dependendo da loucura, eram válidas algumas ideias criativas para tentar melhorar a situação, como tomar banho de mangueira, de bacia ou quase entrar na geladeira. Nessas horas, improvisar tornava-se o verbo da vez.


E foi com as benditas coisas geladas que Juliana decidiu se refrescar. Veio nela, de repente, uma vontade louca de tomar sorvete. Lembrara-se de ter visto um pote no freezer de casa. Seus pais tinham o hábito de sempre comprar nas idas mensais ao supermercado e o que, por hora, cairia muito bem.

Assim, ela foi à cozinha, pegou uma taça, uma colher e correu à geladeira com toda gana. Agarrou o pote gelado como se fosse algo cheio de valor e levou-o para mesa junto da taça.  Ao abrir o pote, uma pequena surpresa: estava cheio de feijão. “Que porcaria! É feijão e só feijão!” Sua mãe tinha que guardar o feijão justamente no pote de sorvete, para sua infelicidade.

Para Juliana, então, restara apenas chupar um gelo, a fim de tentar se refrescar e enganar o paladar.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Gosto



felicidade
Gosto do cheiro de terra molhada.
Gosto de olhar a lua e ficar observando o céu.
Gosto do barulho da chuva quando bate na janela, na hora de dormir.
Gosto de abrir os braços e fechar os olhos para sentir o vento.
Gosto de ouvir música com os olhos fechados, ou lendo suas letras.
Gosto de aumentar o volume do som e dançar sozinho pela casa ou na frente do espelho.
Gosto da dormência nos lábios causada pelo álcool.
Gosto de abrir o pote de canela apenas para sentir o cheiro.
Gosto de cantar no chuveiro e desenhar no box embaçado pelo vapor.
Gosto de enfiar o pão de queijo no iogurte e batata-frita no sorvete.
Gosto de me aventurar na cozinha e inventar molho para macarrão.
Gosto de tomar sorvete até ficar tremendo de frio.
Gosto de abrir um livro novo e sentir o cheiro das páginas.
Gosto quando leio e esqueço o mundo à minha volta.
Gosto dos filmes que me fazem sentir algo.
Gosto de ouvir tocarem violão e prestar atenção na vibração das vozes.
Gosto de olhar para os pés e mãos das pessoas.
Gosto dos sorrisos e do som das gargalhadas, mesmo as estranhas.
Gosto do arrepio que dá ao ser beijado no pescoço.
Gosto quando as conversas duram sem nenhum esforço.
Gosto de ser atencioso.
Gosto de ouvir histórias incomuns de pessoas mais velhas.
Gosto de abraçar sem ter motivo.
Gosto de sorrir para pessoas desconhecidas na rua.
Gosto de receber mensagem de madrugada.
Gosto de mandar mensagens sem nexo ou apenas por ter me lembrado da pessoa.
Gosto de ser lembrado com música; música boa!
Gosto de dizer que estou com saudades e gosto muito quando sinceramente dizem que estão com saudades.

Gosto muito do fato de conseguir ficar feliz com coisas tão efêmeras.

sábado, 26 de janeiro de 2013

O desesperador



Certo dia, decidi ser responsável e fazer alguma coisa da vida que rendesse dinheiro. Com isso, nasceu a necessidade de ter que acordar cedo. Algum infeliz inventou a frase "Deus ajuda quem cedo madruga" e ela agora começava a fazer sentido na minha vida, ou pelo menos tentava fazer. "Deus, por favor, me ajuda mesmo!" 

Lá fui eu, lindo e alegre (só que não), tentar aprender a programar os meus horários e ter hora para dormir. Só que para isso, precisaria de um despertador, porque força de vontade não havia suficiente. Minha carteirinha de dorminhoco era vitalícia. Peguei o celular e programei o alarme, de lá mesmo, para tocar às 6:30 da matina, já sabendo que ensaiaria levantar e ficaria nessa até às 7:00. "Estratégia, meu filho! Ela é útil nessas horas também." Escolhi a música mais agradável que tinha na memória do celular e mandei bala.

The game has just begun.

Como previa, não consegui dormir cedo no dia anterior, porém a ansiedade pelo novo e o medo de causar má impressão no primeiro dia de trabalho, me fizeram levantar na hora com tranquilidade. Quer dizer, depois de acordar várias vezes durante a noite acreditando estar atrasado. Os dias seguintes seguiram mais ou menos da mesma forma, mas fui, aos poucos, acumulando sono pra dormir mais cedo. A primeira semana foi até tranquila.

No primeiro dia da terceira semana, começaram as falhas na estratégia... O desesperador, digo, despertador, tocou na hora e fui usando a função "soneca" de 5 minutos até não poder mais. Consequentemente, passei a aceitar a ideia de me atrasar um pouco. Um pouquinho só! Durante vários dias, mantive a linha alarme-soneca-alarme atrasando na média normalíssima de 10 minutos.

Passados alguns meses, eu já tinha certeza que o emprego era meu, o que trazia um conforto maior durante o sono. Ou seja, desastre. O despertador tocava e eu não mais ouvia e, quando ouvia, desligava sem nem notar. Acordava atrasado desejando uma morte súbita para que eu não precisasse sair da cama. Passei a ter um amor incondicional pela minha cama. Os minutos de atraso começavam, assim, a crescer exponencialmente. E chegara a hora de bolar uma nova estratégia.

Fui atrás de um novo despertador. Comprei um daqueles irritantes com som de bip. Assim, o alarme do celular continuava programado para a mesma hora, 6:30. E o de bip irritante coloquei às 6:50 e bem distante de mim, para eu ter que sair da cama para desligá-lo. Na altura do campeonato, eu odiava aquele toque do celular com todas as minhas forças. Contudo, não adiantava mudá-lo, pois também odiaria os próximos, com absoluta certeza. A estratégia, afinal de contas, estava renovada e os dias seguiram mais (in)felizes. Comecei a torcer que aquela perdurasse dessa vez. E perdurou, com a benção divina.

Certo dia, estava eu na casa de um amigo, com várias outras pessoas e, repentinamente, o celular de alguém começou a tocar com o MEU toque do alarme. Na mesma hora, o que era alegria virou sensação ruim de desespero. Vontade de encontrar o celular e destruí-lo, e dar um soco no dono. Naquele momento, eu tive a certeza que odiaria aquela música o resto da minha vida.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Narciso e as coisas



Narciso não gostava de pessoas. Narciso gostava de coisas. Dentre as coisas, havia os móveis, os livros, as músicas, as tecnologias, as fotos, as artes... Como era fácil gostar de coisas. Não importava ele o que fosse. Coisas não causavam medo. Coisas não julgavam. Coisas não faziam mal. E o que sentia por elas não fazia diferença alguma. Podia sentir o que fosse sem consequências. E ele conversava com as coisas quando ninguém via. Ainda que as coisas nunca o respondessem, ele se sentia muito bem após tais conversas. Coisas não usavam suas palavras contra ele mesmo. E coisas não distorciam o sentido de nada dito. Era extremamente fácil conviver com coisas. Narciso era claramente uma pessoa solitária e não fazia questão alguma de mudar. Estava, quase sempre, em um mundo paralelo, particular e impenetrável. Vivia entre pessoas, sem nunca conseguir gostar delas. Muitas vezes taxaram-no de louco, psicopata, problemático... “Coitado do Narciso!” Mas ele não se importava. Convivia com pessoas porque não havia outro jeito. De vez em quando tentava gostar de animais. Porém se identificava mesmo era com as coisas. Narciso não gostava de pessoas. E do seu jeito, era feliz.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Eu não gosto de você.

Olá! Tudo bem? Comigo também. Estou iniciando esta conversa, na qual pretendo falar sem deixar você responder, para esclarecer alguns pontos. Tá certo, não é uma conversa, é um monólogo. Ah, que seja qualquer coisa! E não estou enraivecido. 

Então, gostaria de afirmar que eu não gosto de você. Acredito que seja perceptível, pois eu não sei mostrar o contrário. Mas se ainda não era, agora está claro. Não gosto de você. Já tentei gostar por diversas vezes, mas é verdade aquilo que dizem sobre ser impossível gostar de todo mundo. Infelizmente, entre você e eu foi assim. Independe de qualquer vontade, nossos olhares não se cruzaram, nossos assuntos não renderam, não houve aquela reciprocidade que deixa tudo bonitinho e agradável. 

Em consequência, se você gostou de mim em algum momento ou ainda gosta é algo que nunca me interessei em saber e continuo não interessado. Desculpe-me! É que você gostando ou não, não modifica nada na minha vida. 

Eu queria muito também enfatizar que o fato de eu não gostar de você não significa que eu te odeie. Odiar é algo muito forte e eu não te odeio mesmo. Além disso, a minha vontade de te fazer qualquer mal é zero. Não saio por aí falando mal de você, "queimando seu filme" ou coisas do tipo. Não tenho por que gastar meu tempo com isso. Indiferença é uma coisa de fácil uso e tenho certeza que com ela eu economizo um tempo enorme. Confesso que, às vezes, uso, no máximo, um pouco de sarcasmo, uma ironiazinha ou te fuzilo com o pensamento porque, convenhamos, estou longe de ser perfeito. 

Ainda assim, digo que se você estiver perto de mim, eu não vou te destratar. Se você falar comigo, eu vou te responder sem problemas. Eu fui bem educado na vida. Porém, não significa que eu goste de você. Só nunca abuse! Abusos, excessos ou coisas parecidas, tiram a paciência de qualquer pessoa educada. 

E sua opinião sobre o que acabei de falar realmente não me importa. É isso. Obrigado!


quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Conversa rápida


- A gente sempre fica bem.
- Mas a gente fica com medo que demore, né?
- Isso não dá pra controlar.
- Tomara que seja sempre rápido. 
- Tomara mesmo!




segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Encontrar alguém


Repentinamente, em um dia em que não se espera nada, você encontra alguém legal e começa a se relacionar. Depois de certo tempo tudo que você deseja é se dedicar à outra pessoa, querer perder um pouco do individualismo e passar a viver o conjunto. Relacionar-se, namorar, casar, juntar as panelas... Verbos que, pelo o que é observável do mundo ao redor, são a reunião de diversas ações. Para todos eles:

É o adaptar-se aos horários um do outro e administrar o próprio tempo para conseguirem fazer o máximo de coisas possíveis como casal. É curtir a felicidade que acontece dos encontros e sentir saudade o tempo todo, apenas pelo fato de não estarem próximos. Abusar do sexo e tornare.-se cada vez melhores por conta da intimidade construída e por passar a conhecer cada ponto, o quão minúsculo for, e o que mais satisfaz. É falar com voz de criança e voz manhosa parecendo bobo, mas sendo interpretado como fofo. Tornarem-se beijoqueiros e viciados em abraço. É o ser romântico, elogiar e declararem-se sem motivo. Fazer qualquer coisa para agradar. É o apaixonar-se por todos os detalhes físicos, mesmo os feios e no meio de pessoas ainda mais belas que vocês, considerarem-se os mais bonitos do mundo. Preocuparem-se um com o outro pelo risco mais idiota e querer cuidar e cuidar. Descobrir gradativamente os defeitos de ambos e aprender a conviver com eles sem discussões. É se desentenderem em um momento e no outro agarrarem-se sem a mínima vergonha e pudor. É observarem-se nos momentos silenciosos e sorrirem, com aquele sorriso mais feliz, apenas porque se entreolharam. É conhecer o gosto um do outro e compartilhar as coisas que aos dois agradam. Sair juntos, sair separados e ficarem ansiosos para se reencontrarem. É fazer programa de casal e fazer programas com casais. Rir, chorar, se divertir. Arriscar um "eu te amo" e não ouvir de volta naquele momento, mas ser surpreendido com a reciprocidade e ser amado na hora certa. É planejar momentos futuros e sonhar momentos quase impossíveis, ainda que nunca se realizem...

Ações quase que infinitas e sempre cheias de significado. Quando existem a tal reciprocidade e disposição das partes as coisas vão acontecendo naturalmente e uma pontinha de felicidade fica gigante. Tudo que acontece acaba sendo bastante significativo. Só quem vive sabe a sensação, mas quem observa também pode admirar, pois é algo admirável, com certeza! Só não vale forçar demais para que aconteça ou iniciar um relacionamento apenas para mostrar que o tem. Alguém sempre sai machucado nessas histórias. Quando é pra ser, tudo acontece naturalmente e progride só com a convivência.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Pensando em mudanças


Sem radicalismo ou incentivado por alguma revolta olhei-me no espelho e pensei alto, como um grito suplicante para mim mesmo: “Hora de mudar!”. Físico? Comportamento? Roupas? Falas? Caminhos? Tanto faz! Qualquer coisa que trouxesse aquele sentimento raro de “estou passos à frente”. Meu eu ansiava por mudanças, por reconstruções. Aquela ânsia de evoluir, sabe? Não porque me disseram que preciso, muito menos por algum sentimento idiota de exclusão. Apenas porque o que é rotineiro me cansa, porque a previsibilidade me deprime e porque quero ser sempre melhor em alguma coisa. Que seja egoísmo! E se de fato for, estou certo de que não estarei fazendo mal a ninguém. E ainda que ninguém note, quero olhar para trás e pensar “Como estou melhor agora!”. Notar que amadureci em algo e ter orgulho de mim mesmo por qualquer besteira. Na verdade, besteira aos olhos alheios, pois para mim não terá sido nada em vão. A maioria das pessoas só sabe falar, falar e falar. E enquanto o fazem estarei eu caminhando, correndo e talvez pulando e no interior me sentindo muito bem, obrigado.