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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Do ônibus



Assim que me aproximei da roleta do ônibus senti o peso de um olhar a me encarar. Olhei para atrás para ter certeza se era pra mim e sim, era. Estava sendo surpreendido naquele momento. Há tempos um olhar não tinha um peso assim. Ou eu que tinha, sei lá, sido pego desprevenido. Paguei o cobrador e entrei olhando de volta. Havia muita beleza ali pra eu passar ignorando. Olhei de volta, sem dó. Procurei um lugar próximo para sentar, mas às 18:00 é quase impossível os ônibus estarem vazios. Então peguei o banco que fosse mais estratégico, ainda assim não sendo muito feliz na opção. Percebi que o olhar tentava continuar me seguindo, mas você virar a cabeça para trás ali seria muito descaramento e não houve ação, ainda que eu torcesse para que houvesse mesmo assim. Fodam-se os outros passageiros! Eu estava preparando um sorriso para quando você olhasse novamente, porém você só tentou de canto de olho, daqueles em que evita-se ser tão óbvio. Comecei a ficar impaciente até que infelizmente a sua parada estava próxima. Você levantou, puxou a cordinha e veio passando em minha direção. Finalmente pude doar gratuitamente e de bom grado o meu sorriso mais sincero e você sorriu de volta, fazendo meu coração dar uns pulinhos de empolgação. Contudo faltou mais ação de ambas partes. Trocar celular seria extremamente fácil ali, mas creio que os dois ficaram meio abobalhados com a situação e permaneceram inertes. Você desceu do ônibus e ainda deu olhada para trás sorrindo, me deixando ainda mais feliz com aquele momento. Minutos de extrema emoção, perdidos no meio de um discurso sem palavras. Peguei o mesmo ônibus, no mesmo horário por diversas vezes e nada de reencontrar aquele olhar-sorriso. Quem sabe um dia aconteça. E da próxima vez, farei o possível para ser mais proativo.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Confissão de um bêbado por conveniência

Bebi meia garrafa de vodka. Boa parte pura, apenas com gelo. A intenção não era ficar bêbado e sim buscar alguma parte do meu ser que fosse extremamente emocional. Disseram que poderia funcionar. (Lembrando que não é conselho de mãe!) Eu estava ansiando por um momento de divagações profundas. Queria soltar o que estava preso por cordas invisíveis, lá no fundo do ser, onde não dava pra tirar com a mão. Não queria despejar tudo no ouvido de algum amigo. Já havia o feito e não adiantou muita coisa. Além disso, as pessoas se cansam desse tipo de ladainha. (Eu sei, pois também acabo me cansando na situação inversa.) O fato é que acumulei sentimentos demais e a maioria sem a intenção, sem ter pedido por eles. Dei-me conta de tal façanha, inconscientemente, um dia desses em que você não faz nada além de pensar e no final percebe-se incomodado com algo. Eram sentimentos autossuficientes, que se nutriram sem ajuda externa. Foram bastante agradáveis e confortantes no início. Motivavam-me a procurar as melhores atitudes sempre. Contudo, após algum tempo, tornaram-se incômodos. As atitudes não eram mais convenientes e os sentimentos tiveram que ser reprimidos. Pensando melhor, as atitudes nunca foram convenientes, mas eram na minha cabeça, porque meu ego ficou inflado demais com um pouco de atenção ganha. O ego é bem assim, cheio de si. Você vai e torna-se espontâneo além da conta e fica querendo agradar quando devia ficar na sua. Bonito, não? Enfim, o álcool virou remédio, ainda que seja feio admitir. Mas danem-se as opiniões alheias! Já vi muita gente apelando para ele e era justo eu também tentar. Fui lá e entornei a minha vodka, coloquei para tocar aquelas músicas mais tristes e “morrânticas” e fui forçar um choro, daqueles de ficar soluçando. E meu apelo etílico acabou funcionando. Foram horas de lágrimas, xingamentos e lamentos até que consegui cansar meu lado emocional. Felizmente! Foi como fazer xixi depois de ter ficado extremamente apertado por ter bebido muita cerveja. Libertador. Passados alguns dias, reparei que meus lamentos diminuíram drasticamente. Era óbvio que seria impossível cessá-los por completo, mas a parte mais chata do que estava reprimido havia se esvaído com a vodka, com as lágrimas e com o xixi. A ressaca do outro dia também acabou sendo de extrema utilidade, uma vez que roubou quase toda a minha atenção e disposição para fazer qualquer outra coisa. Assim, após tal loucura bem sucedida, preciso dizer que não sei se é algo que funciona para todos, mas que um dia quase todo mundo acaba tentando afogar as mágoas e incertezas assim. E se não funciona, pelo menos ensina alguma coisa.

P.S.: Caso resolva tentar, tente sozinho e em casa. Não vá dirigir! E fique longe do celular e das redes sociais!

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Próxima vez?

Eu estava quieto no canto, curtindo meu momento. Você veio do nada e me roubou. Atenção, olhar, sorriso, todas as minhas reações. E quem diabos era você? Veio com a resposta para esta pergunta e aproveitando para roubar mais. Beijos, abraços, carinho. Foi eficiente na ação, pois não houve da minha parte intenções de fuga ou defesa. Tentou, logo, pagar todo o roubo com um elogio. Aliás, vários elogios. E conseguiu. Deixei-me levar. O que foi roubado virou doação. Consequentemente o meu momento tornou-se nosso e meus pensamentos converteram-se em planos a curto prazo.

Horas depois, a contragosto, o tempo tomou as rédeas da situação. O dia pareceu ter menos de vinte e quatro horas. Despedida. Triste despedida. Por um momento, homogêneo e após um segundo, cada um em seu caminho. Trocamos contatos, pelo menos. E você esqueceu seu gosto e cheiro na minha memória. Propositalmente, com certeza.

Empolguei com a memória daquela noite. Estava totalmente apaixonado. Procurei você no mundo real e virtual. Tentei te fazer presente quando não estava. Estava sempre atento à sua aparição. A vontade de mais encontros e mais contato era cada vez maior e eu corria atrás do meu jeito. O mínimo de atenção que fosse era suficiente para ter fome da sua presença. Esperar por você era uma alegria sem concretização. De vez em quando acontecia.

De repente, dias depois, o que era um “Oi, tudo bem?” tornou-se apenas um “Oi”. Sem motivo aparente. A sua atenção foi virando memória e certo desespero veio à tona. Cadê você? Para onde foram meus elogios? O nosso contato foi interceptado? O que eu fiz? Paranoia, pensamentos desnecessários, dias de reflexão.

Você nunca me correspondeu. Você nunca utilizou da reciprocidade. Sensatez, racionalidade e passos curtos eram o que te descreviam melhor. E eu nunca estive apaixonado por você. Era carência! Pura e ilusória. Instigante e irônica. Apeguei-me a ela e ela me jogou a você com cola. Toda a sua beleza foi inconscientemente aumentada e o que vinha de você foi ganhando ênfase. Pequenos elogios tornaram-se juras de amor de baixa intensidade. Carinho frio ganhou calor de febre e mensagens educadas a aparência de declarações.

Carência. Culpada!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Heroísmo

Sempre quis ser herói. Fazer o bem faz tão bem. Quis curar dores de cotovelo, lutos e dores sem motivo. Quis ouvir e ser prestativo, mesmo quando qualquer outra coisa não adiantasse. Quis melhorar as relações sociais. Quis consertar o mundo.

Eu não tenho a força e tampouco sei voar. Não consigo mover objetos com a mente e muito menos ler pensamentos. Meu corpo não é de aço e minha mente não tem nada de extraordinária. Mesmo assim o heroísmo me persegue. Extinto de proteção herdei dos meus pais. Coragem veio da vivência e ao perceber que não agir é o mesmo que ser amarrado quando o que mais se quer é correr. Levantar um carro com as mãos tornou-se possível quando passei a acreditar que tinha força suficiente. O mundo em sua imensidão passou a ser alcançado pelos meus braços que já não são tão curtos. Minha visão nunca chegou a ser de raio X, mas tem um alcance fora do comum. Pela auto-didática aprendi a energizar paciência e soltar sinceridade. E não sei dizer se foram as aulas de interpretação de texto que me mostraram como interpretar as pessoas.

A maldade alheia é um mal crescente. As pessoas desapegaram-se da bondade ao ver que a maldade tem suas facilidades. Egoísmo tornou-se lema e os laços sociais perderam a significância. As pessoas agora precisam ser salvas de si mesmas, porem não se pode salvar quem não quer ser salvo. E tentando mesmo assim, torna-se invasão de privacidade.

Heroísmo só tem algum valor quando as pessoas realmente anseiam por heróis.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Explicações

Depois de uma semana, quase inteira, finalmente nasce mais uma das minhas várias redes sociais: "Sinceridade Gozada". E como foi difícil chegar a um nome. Eu queria algo que fosse chamativo e ao mesmo tempo expressasse, de uma maneira não tão séria, o intuito do blog. Reuni vários nomes e saí pedindo opinião pra vários amigos, mudando de opinião várias vezes, até que decidi ficar com este.

A palavra "sinceridade" já tem o seu sentido bastante específico e é uma das minhas características pessoais mais evidentes. Pense em uma pessoa que já cometeu diversas gafes por conta desta sinceridade aflorada. That's me! Já a palavra "gozada", à primeira vista (minha pelo menos), remete logo a uma conotação sexual. Contudo, a minha intenção em usá-la foi quebrar um pouco da seriedade da palavra anterior. E vale lembrar que na linguem de Direito e inclusive na Bíblia ela é bastante usada, com um sentido mais, digamos, sério. rs.

Mas por que fazer um blog?
Eu sou um ser extremamente inquieto e de mente ainda mais inquieta. Um dia, que não lembro exatamente quando, descobri que escrever era uma das minhas paixões e descobri também que escrevendo conseguia tirar da cabeça muita coisa que me incomodava. Eu podia reclamar, gritar, xingar ou viver qualquer história que eu quisesse, do jeito que quisesse. Já tive vários surtos de vontade de escrever, desabafando, criticando ou apenas juntando palavras sem tanta conexão. Ser sincero escrevendo é algo ainda mais fácil, pois você pensa mais antes e vai construindo cada frase sem tanta impulsividade. E assim foram nascendo textos que eu fui jogando em um fotolog. A maioria, textos metafóricos (talvez meu estilo preferido) nos quais costumo chamar de "As Crônicas do Menino Bonzinho". Por fim, fotolog tornou-se algo defasado e o público que eu tinha foi sumindo aos poucos. Fui perdendo o interesse de atualizar, já que o feedback das pessoas também me motivava bastante e os textos começaram a ser guardados. Dias atrás deixei que amigos lessem alguns e acabei por ser incentivado novamente a passá-los pra frente. Empolguei e aqui estou com o blog.

Quero utilizar o espaço para continuar escrevendo sobre qualquer coisa e ler a opinião das pessoas sobre o que for postado. Espero que gostem!