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quarta-feira, 2 de julho de 2014

Despedida




Não importa se é a primeira ou a última vez, despedir-se é sempre triste demais. Quase nunca é uma escolha, mas é sempre um baque, sempre machuca, sempre dói. Despedir-se é como perder um pedaço de si e ter que aprender a conviver com aquele buraco formado, com aquela falta. É ter que reaprender a viver sem aquela presença, sem aquele carinho, sem aquele cheiro, aquele abraço, sem tudo aquilo que a pessoa representava. Despedir-se produz saudade em abundância, na forma mais melancólica e dolorida que existe. Causa desespero, desânimo ou depressão. E infelizmente, o que nos resta é viver aquele luto nascido da despedida e aguardar o momento em que a saudade não doa mais, por que na vida sempre haverá despedidas e não há nada que mude isso. Só nos resta lamentar até o dia em que as boas lembranças tenham prevalecido sobre todo sofrimento.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Sorridente



Foto: Felipe Souza

As pessoas achavam estranho vê-lo assim, caminhando e sorrindo do nada e para o nada. Felicidade, pra muita gente, tinha que ter um motivo ou uma explicação plausível, dentro de algum contexto com sentido. Porém ele havia descoberto há algum tempo que dava pra sentir o mínimo que fosse de um bom sentimento por dia. Era possível e deveria ser obrigatório já que fazia tão bem. Situações chatas e momentos desagradáveis sempre existiriam e ele tinha isso em mente, o que era muito bom. E sua maior descoberta foi que se ele encontrasse alguma coisa qualquer pelo o que sorrir, as coisas ganhariam outra perspectiva. Era um comportamento incomum, se comparado ao resto do mundo. Os seres humanos ao seu redor não entendiam. Quer dizer, alguns conseguiam entender, outros ignoravam e outros torciam o nariz e criticavam. "Como pode ser tão sorridente?! Não deveria ser assim. Sorrir assim é coisa do passado! O mundo é outro." Mas ele era teimoso e insistia na sua descoberta. Bom para ele. Sorrir sempre tornava as coisas chatas suportáveis e, quase sempre, conseguia desmanchar carrancas. Anos passaram meio a sorrisos sem motivo, até que ele descobriu o abraço gratuito e inesperado. Desde então, tudo passara a ser sorrisos e abraços.




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Susto



Estranho ver que meu coração ainda dispara ao topar com alguma movimentação sua. Sei que não é amor, tampouco saudade. Saudade vem de vez em quando, quase nunca. É muito estranho. Talvez seja apenas o susto de relembrar que você existe, depois de fazer o possível para não lembrar do que quer que seja sobre você. E isso! Foi apenas um susto. Aquela sensação que acontece no momento mais inesperado. E que já passou novamente!

bebe careta susto[7]

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Lembrança de um último beijo



last_kiss_by_gwarf Depois de todas as conversas, queixas e concordâncias. Depois de uma recapitulação breve. O fim apareceu. Era tão triste e ao mesmo tempo tão necessário. Enfim… Mesmo com ele, saímos juntos dali ainda carregando o fio invisível da ternura e do carinho. Caminhamos em silêncio, cada um com seu turbilhão de pensamentos e alguns lamentos. Até que arrisquei um último beijo. Eu tinha que fazê-lo. Queria uma despedida que não carregasse a aparência comum de coisa ruim. E a correspondência foi linda. O coração se acelerou e as lágrimas só não caíram por pura vergonha. Percebi que você também se esforçava para não chorar. Foi um beijo para ser lembrado para sempre.

Ok, chegou a um fim e foi triste. Naquele momento eu ainda te amava. Ainda queria que todas as peças soltas do nosso quebra-cabeça voltassem a se encaixar. Queria que a nossa história ainda tivesse outros capítulos. Como eu queria consertar os nossos mundos que conseguiam ser ao mesmo tempo parecidos e tão diferentes. Queria fazer com que o amor fosse mais forte que tudo, como nos filmes ou nos livros. Mas o momento deixou de contribuir com o querer.

O nosso momento havia deixado de ser. Havia outras coisas. Havia vários nós (da vida) para desatar. Sou grato por tudo. E quero que saiba que nunca deixei de te querer bem. Espero que nossas estradas ainda se cruzem, ainda que os rótulos sejam outros. Espero um dia podermos rir disso tudo e recordar com doçura.

 

Outubro de 2012.

domingo, 29 de setembro de 2013

Cada um com o seu


Cada um com suas loucuras, suas sandices, sua bondades, suas linhas retas.
Cada um com seus gostos, seus desgostos, suas vontades de todo tipo, seus desejos realizados e reprimidos. 
Cada um com suas prioridades, suas coisas importantes, suas futilidades. 
Cada um com suas certezas, suas verdades, suas desconfianças, suas dúvidas sobre qualquer coisa, suas curiosidades. 
Cada um com suas músicas, suas roupas, seus sapatos, suas bebidas, seus objetos inúteis, suas lembranças nas coisas.
Cada um com suas descobertas, seus segredos, seus mundos particulares, suas peripécias expostas. 
Cada um com seus lamentos, suas mágoas presas ou libertas, seus medos, suas frustrações.
Cada um com suas dificuldades, suas facilidades. 
Cada um com seu cada um.
Sempre...



Foto: minha

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Os estranhos porquês que ouvimos em casa



É falta de água.
É por que tomou leite.
Foi o sereno de ontem.
É por que brincou com fogo.
Foi o pequi com sorvete.
É por que tomou muito banho durante o dia.
É por que comeu mais de dois ovos no dia.
Foi o bolo quente que você comeu.
É por que dormiu com a cabeça molhada.

Seja por uma dor física, de uma gripe ou resfriado ou de um simples mal-estar, geralmente, os motivos acima, dentre vários outros, são os que ouvimos das pessoas de casa quando fazemos alguma reclamação.

Por exemplo, você acorda com dor de cabeça e reclama com a sua avó e imediatamente ouve: “Foi por causa do computador!”. Para tentar consertar, você diz que não usou o computador na noite anterior e logo ouve um “É porque você dormiu tarde”. E se continua com as suas justificativas, vai ouvindo das mais diversas explicações. Claro que, em alguns casos, uma dor de cabeça pode até ser culpa do computador, mas é engraçado que a culpa seja única e exclusivamente daquele trambolho tecnológico.

Para os mais velhos, há uma frequente necessidade de culpar uma ou mais de nossas ações pelo o que nos aflige. E são explicações nem sempre plausíveis. Alguém me responde por quê? Não sei se são apenas crenças passadas de geração para geração, ou simples superstições compartilhadas e que hoje, aos poucos, vai perdendo a força por conta da ciência. Mas é algo muito engraçado de se ouvir às vezes. Creio que algumas coisas acabam tendo um pouco de verdade, como algumas misturas que costumamos fazer ao comer, contudo não deixa de ser cômico ouvir que sua barriga está doendo porque você comeu ovo e tomou suco de manga ou que você acordou espirrando porque dormiu com o cabelo molhado.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Quando a esperança nos fode



"Esperança é a última que morre." Vixe!

Quando ela, a tal verdinha, não representa coisas boas, tem o poder enorme de literalmente nos foder. Desculpem-me o termo, mas se pararmos pra pensar, percebemos que tem verdade nisso aí.

Vamos a um exemplo...

Você terminou um namoro extremamente turbulento. E você era perdidamente apaixonado pela criatura, mas o universo conspirou desde sempre contra vocês. Aquilo não daria certo, nem com reza ou simpatia e tudo era completamente evidente. Consequentemente veio o término, contudo você nutria a esperança de que tudo pudesse se acertar e que vocês viveriam felizes para sempre. Com isso, você foi perdendo oportunidades de fazer outras coisas por você ou testar um relacionamento com outra criatura.

Nutrir esperança nem sempre é uma coisa boa. Ela te prende e te atrasa. Faz você querer sempre movimentar o seu passado com a crença de que, dessa vez, as coisas podem funcionar. Não necessariamente em um relacionamento. Esperança pode foder com qualquer situação da sua vida em que você se apegue demais a ela. Isso por que você estará tão preocupado em consertar coisas estragadas, que não vai dar válida atenção aquilo que ainda nem aconteceu. Sem falar na inércia que ela pode causar na sua vida. Você vai ficar lá parado, esperando as coisas melhorarem e vai deixar de agir.

É, não é fácil abandonar seus pedaços pelo caminho, mas se são pedaços podres, não tem porquê ficar tentando, incansavelmente, reanimá-los, uma vez que é possível colocar algo muito melhor no lugar.

Esperança é parente da expectativa. As duas podem atrapalhar nossas vidas e com certeza nos foder, dependendo do poder que damos a elas. O jeito, então, é não ter esperança e expectativas? Não! O ser humano não evoluiu ainda a esse ponto. O jeito é não ceder tanto às exigências das duas.