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domingo, 1 de julho de 2012

Dúvidas

Dúvidas? Todo mundo tem dúvidas. Nas pequenas ou nas grandes coisas. Nas atitudes, nos sentimentos, nas decisões e na vida em si. É necessário ter dúvidas. Quem não duvida se contenta e nunca questiona. Vive qualquer coisa como se fosse muita coisa. Mas como para tudo na vida, o problema da dúvida está nos exageros. Principalmente quando duvidar é mais fácil que acreditar.

Ainda assim, para muitas coisas, precisamos de certeza. Certeza para saber que a estrada é certa, reta e confiável. Certeza para ceder dedicações e doar-se sem medo.

E a parte mais irônica disso tudo é que para ter certeza, antes, é necessário duvidar.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Conviver

Conviver pacificamente é algo complicado. Ainda mais quando temos que entender e aceitar no outro todas as manias, as birras, as crenças, as crises, os dramas, os podres... Coisas que ninguém escapa de ter. Mesmo sendo muito sincero e transparente você omite boa parte das suas vontades (malvadas) de extravasar para não causar maiores conflitos.

Vontade de xingar uma pessoa que nos desagradou por qualquer motivo é tão comum. É uma vontade que aparece com uma facilidade imensa. Contudo, se fomos bem educados, ficamos calados, pois, normalmente, o motivo do desagrado fora pessoal e nada válido coletivamente. Vem, geralmente, da mania que temos de esperar nos outros comportamentos iguais aos nossos. O que dificilmente acontece. E agir assim, calando-se, não fora algo exatamente ensinado, mas à medida que crescemos, nós acabamos seguindo o tal modelo da boa vizinhança. Educação, né?! Alguns têm.

A família é o primeiro e melhor exemplo. Aceitamos os parentes do jeito que eles são (nem sempre) ou ignoramos suas inconveniências com uma facilidade maior, e vice-versa. Porque se não for assim, tudo complica. E não dá para acabar com os laços sanguíneos. É aquela coisa: “Aceita ou vasa!”.

Conviver com família, na maioria dos casos, é mais fácil, pois fomos sempre condicionados a tolerar muita coisa pela convivência “forçada”. E, de certa forma, faz parte do subconsciente dificultar em acreditar que nossos queridos possuem também seus lados negros. Assim, o aprendizado com a convivência já começa dentro de casa, ainda que exista e persista a vontade de mandar um parente ir tomar naquele lugar.

“Temos mais dificuldade em reconhecer "defeitos" e limitações nos nossos parentes queridos e próximos do que nos outros com quem convivemos. Somos particularmente tolerantes com nossa mãe. Isso acontece mesmo quando elas são egoístas, manipuladoras e autoritárias.” (Flávio Gikovate, via twitter @Flávio_Gikovate).

Educação, nas diversas situações de convivência, não precisa ter necessariamente ligação com o gostar. Espera-se que você aja educadamente mesmo não gostando. Pelo menos foi assim que eu aprendi. Por exemplo, você não entende uma crise de mau humor de um colega de trabalho e se irrita com ele, porém, para evitar constrangimentos maiores, você ignora e segue sua rotina. Pode até ser um desafio de paciência, todavia é um comportamento necessário, principalmente para viver bem entre as pessoas.

Fato que é prazeroso, às vezes, “soltar os cachorros” em algumas criaturas. Existe quem merece, claro! Mas imagine o mundo com pessoas fazendo o mesmo com você o tempo todo, em todo lugar. Seria muito desagradável.

Sempre bom lembrar que o inverso também ocorre. Nossos comportamentos também irritam as pessoas e, quase sempre, elas omitem suas opiniões para evitar discussões desnecessárias. E não é uma questão de faltar com sinceridade, mas ter empatia também na parte podre de cada um.

“Como melhoram as pessoas depois de passarmos a gostar delas!” (Grayon)

domingo, 17 de junho de 2012

Hipocrisia

As pessoas adoram uma hipocrisia, não é? Principalmente quando querem ter direito de criticar e dar conselhos que elas mesmas nunca seguem.
Para quem não sabe:
hipocrisia
hi.po.cri.si.a
sf (gr hypókrisis+ia1) Manifestação de fingidas virtudes, sentimentos bons, devoção religiosa, compaixão etc.; fingimento, falsidade.
Há muitos hipócritas no mundo. Muitos falsos moralistas cheios de razão e com suposto direito de julgar atitudes de terceiros sem nunca se lembrar das próprias atitudes. E não dá para limitar hipocrisia à apenas uma parcela pequena da população. Há hipócritas demais. Eu, você, seus pais, seu chefe, seus governantes, o mundo.
“Se uma leve camada de hipocrisia não cobrisse o apodrecido tronco da nossa moderna civilização, que horrendo espetáculo não se depararia à nossa vista!” (Paolo Mantegazza)
Já é meio óbvio que a sociedade exerce um poder gigantesco sobre o comportamento humano e que certos modelos são sempre cobrados. Exemplos: - a mulher que presta é a que beijou poucos homens na vida e preservou sua virgindade para pessoa certa; - homem que é homem tem que ‘pegar’ todas. Modelos, estes, que vão além das épocas. E ser taxado de qualquer coisa ruim perante a sociedade é algo bem desagradável mesmo. Ninguém quer. Assim, quase sempre, todos vão fingindo ser exemplos de bondade e bom comportamento. Até aí tudo bem.

A parte irritante é a distribuição gratuita de críticas e julgamentos por pessoas que não têm moral para tal. Bom lembrar que o mundo gira sem parar e que muita coisa acaba voltando. Aí, no final, é sempre um festival de “pagação de língua”.

“Pagar língua” é uma expressão/gíria comumente usada para a situação em que a pessoa passa por uma experiência que desaprovava, rejeitava ou tinha forte preconceito. Ou seja, e se pegar fazendo algo no qual disse que nunca faria.
“A hipocrisia é a fuga mais comum daquele que não tem coragem de ser ele mesmo, o que o leva a sufocar seus medos e frustrações no preconceito para com o outro.” (Elis Raik Miranda de Carvalho)
Bom mesmo é lembrar-se da existência daqueles corajosos que ao invés de fingirem ser comportados, vão quebrando tabus, modelos comportamentais idiotas e revolucionando o mundo. E também daqueles que têm a mente aberta o suficiente para aceitar as loucuras alheias, ou simplesmente respeitá-las.

Antes de julgar o comportamento de alguém, seja pelo menos exemplo de alguma coisa!


domingo, 10 de junho de 2012

Prioridades e perdas

saudade-e-desejoHá coisas demais para se dedicar... A parte ruim é perceber que no meio das dedicações há sempre muita coisa ao redor ficando esquecida.

Tantas coisas, tantas pessoas, tanta família, tanto trabalho, tantos estudos, tantos detalhes, tanto tudo... Nas tentativas de acertar sempre, vamos priorizando, priorizando e priorizando e quando percebemos, meio a tanta prioridade, esquecemo-nos de muitas coisas importantes.

Dizem que quando são coisas realmente importantes não chegamos nunca a esquecer. Será mesmo? Eu já acho que, normalmente, são das coisas mais importantes que deixamos de dar a devida atenção ao focar algum objetivo ou curtir uma fase da vida. Agarramo-nos à ideia de que o que é importante já tem tal classificação e pronto. Que não há a necessidade de cuidados nem nada do tipo. Além de acreditarmos na suposta compreensão alheia.

Para algumas situações, de fato, o nosso “descaso” acaba sendo irrelevante. Família, por exemplo, dificilmente te abandona porque você não a procurou durante certo tempo. Ela sempre estará lá. Contudo, há aquilo que sempre necessita de cuidados. Alguns amigos são um exemplo.

O problema maior é que o involuntário é cruel e não perdoa. Ele pode aparecer nesses momentos de priorização e nos faz perder coisas, pessoas, momentos, alegrias... Uma depreciação daquilo já conquistado. E vamos perdendo sem notar e lamentando no meio do caminho. Eu, particularmente, fico triste quando percebo que perdi a convivência com pessoas queridas e que não há nada a fazer para recuperar.

É um pouco chato pensar nisso, porém é algo que acontece na vida de qualquer pessoa. A vida é um ciclo constante de perdas e ganhos. Ao mesmo tempo em que perdemos tanto, também ganhamos tanto. E assim a vida vai seguindo seu curso.

 

"Amadurecer talvez seja descobrir que sofrer algumas perdas é inevitável, mas que não precisamos nos agarrar à dor para justificar nossa existência."

(Martha Medeiros)

 

“Que eu saiba puxar lá do fundo do baú um jeito de sorrir pros nãos da vida. Que as perdas sejam medidas em milímetros e que todo ganho não possa ser medido por fita métrica, nem contado em reais. Que as relações criadas sejam honestamente mantidas e seladas com abraços longos. Que eu possa também abrir espaço pra cultivar a todo instante as sementes do bem e da felicidade de quem não importa quem seja, ou do mal que tenha feito pra mim. Que a vida me ensine a amar cada vez mais de um jeito mais leve. Que o respeito comigo mesmo seja sempre obedecido com a paz de quem esta se encontrando e se conhecendo com um coração maior. Um encontro com a paz e o desejo de viver.”

(Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Quem nunca?

De vez em quando a gente se empolga com um pouquinho de atenção ganha e constrói, na cabeça, um longa metragem com final feliz. 

A atenção chega justamente no momento em que mais se esperava por uma mão estendida. Aí, é como se uma simples piscada de olho se tornasse um convite para uma saída romântica ou como se um “eu gosto de você” se tornasse um “eu te amo” instalado em um outdoor com letras em neon.

Na doce realidade, a atenção não passava de educação ou até era mesmo atenção, só que uma atenção amigável carregada de sutileza. Nada para se desfalecer, sonhar ou planejar o futuro.

A mente humana é cheia de astúcia. Dê espaço demais para o seu pensamento para ver a beleza que vai ser!

sábado, 28 de abril de 2012

Dependente




Eu estava ali neutro no meu mundo, apreciando aquele nada tão agradável e, de repente, bum! Sem pedir permissão, veio um transbordamento de sentimento de dentro para fora. Uma vontade gigantesca de dizer palavras bonitinhas e idiotas e de me expressar até esgotar a sensatez. Ser romântico e coisas do tipo.

Eu que sempre fui sensato e reservado. Sentimentos apenas com o travesseiro e olhe lá! Agora era diferente. As palavras queriam sair da minha boca a qualquer custo e serem ouvidas. Não por todos. Ok, talvez por todos, mas por hora, só por você mesmo. Que poder é esse que você tem? Explica!

Não gosto de dependência emocional. Ou melhor, nunca entendi exatamente o que é depender emocionalmente de alguém. Eu sempre fugi. É dependência sim! Chamo o gostar do que eu quiser! Sinto-me dependente. Estou dependente. Ô, céus! E você aí sem fazer absolutamente nada. Você me olha e eu te quero. Tão assim. Por quê?

– Eu te amo!
(Silêncio)
- Eu te amo!
(Silêncio)
- Eu te amo!
(Sons de grilos)
- Ahhhhhhhhhhhhhhh...

Eu amo mesmo e agora? Vou ouvir música!

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Mente aberta

Estava refletindo o quanto ter uma mente aberta torna tudo mais fácil, em diversos sentidos.

Eu poderia viver generalizando, criticando tudo e todos, julgando as pessoas por seus gostos exóticos, maldizendo suas maneiras não convencionais de resolver as coisas ou desgostando de algo sem nem conhecer, mas ganhando o que com isso? Ganhando um monte de inimizades gratuitas ou um monte de discussões infundadas ou vivendo estagnado no meu mundinho infeliz. Provavelmente viveria odiando o universo inteiro.

Todo ser, estranho ou não, cresce rodeado de conceitos por todos os lados. Aprende em casa, na escola, na rua. Certo e errado, errado e certo. Um dia descobre que pode ter opinião e que isso é uma coisa bastante válida. E, a partir da convivência com milhões de pessoas, percebe que o mundo é cheio de outras opiniões. Opiniões moldadas, entre outras coisas, pelos gostos individuais das pessoas. Também descobre que as próprias opiniões podem se chocar com as opiniões alheias. Assim, muitas vezes deste choque, ou nasce um debate infinito e desagradável ou cada parte respeita que nem sempre a própria opinião prevalecerá (um exemplo).

Indigna, por vezes, ver pessoas querendo impor a própria opinião ou a opinião de um grupo específico como única e absoluta. Quase sempre, sem nem sequer ter a curiosidade de ver como o outro lado funciona. É muito injusto! Todas as pessoas têm o direito de ser o que quiser ou gostar do que quiser. Basta que não prejudiquem ninguém.

Atrevo-me a dizer que ter a mente aberta não seja aceitar e concordar com tudo que existe, mas sim evitar julgamentos descabidos e desviar-se ao máximo do preconceito. Este, que o nosso lindo dicionário define como “1 - Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados. 2 - Opinião ou sentimento desfavorável, concebido antecipadamente ou independente de experiência ou razão.”

É importante ter ciência de que é imensa a diversidade de pessoas, coisas, gostos, culturas, tradições, religiões e por aí vai. Para tudo (todos) existirá alguém quem aprecie aquilo. Sempre! Sempre haverá quem gosta de tudo preto, quem escuta Restart, quem gosta de gordinhos, quem se depila, quem nunca corta o cabelo, quem faz tatuagem no corpo todo, quem usa sempre roupa social, quem usa lentes coloridas, quem chora com tudo... E ter a mente aberta é respeitar as individualidades loucas, ainda que nunca se faça igual. É ser flexível, eximir-se de conservadorismos, é estar aberto a novas ideias e conceitos. É facilitar a convivência.

Abrir a mente não é pedir demais. Quem sabe assim o mundo não evoluiria mais rápido.

“A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.” (Albert Einstein)

“...When you lose small mind, you free your life.” (System of a Down)