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terça-feira, 5 de julho de 2016

A morte da bezerra

CC0 Public Domain - https://pixabay.com/pt/vaca-prado-vacas-grama-vila-canil-1495509/
Você chegou ao fundo do poço. Lembrando que o fundo de cada um pode ter profundidades diferentes. Pensar em fundo de poço é o mesmo que pensar em um lugar escuro, molhado, mofado, sem saída... E você está lá, sentado, abraçado às próprias pernas com a cabeça apoiada nos joelhos, lamentando, incansavelmente, pela morte da bezerra que morreu e te causou um estrago enorme. Coitadinha da bezerra.

Você está lá naquele ‘breu’ e não consegue parar de pensar na bezerrinha e do quanto ela te faz e fará falta. Você chora, sente raiva, pragueja qualquer coisa, culpa-se. Mas a bezerra não morreu por sua causa. Ela pode ter tido um pouco de desgosto por conta de alguma atitude sua, mas a morte em si foi de coisas naturais. Bezerras morrem.

É necessário lembrar-se, vez ou outra, da morte. Ela sempre vai existir, mesmo que você não goste. E essa tal morte pode ser a morte em vários outros sentidos. Morte de coisas, morte de ciclos, morte na própria aparência ou jeito de ser... Então, é importante lembrar-se dela para não ser pego desprevenido. Ainda assim, também é bom ter em mente que, mesmo prevenido, alguma coisa dentro de você ainda pode doer ao ter ciência de alguma morte. É triste, eu sei. A morte faz parte da vida. Engraçado isso. Chega a ser irônico.

Se te conforta, é bom saber que a dor sai de evidência depois de algum tempo. Mas o tempo é relativo para cada pessoa. Você pode chorar eternamente pela bezerra, mas a intensidade do choro vai diminuindo com o passar dos anos. Você se acostuma, encontra outras preocupações, começa a enxergar por outras perspectivas, muda a forma de ver o mundo e milhões de outras coisas. E a bezerra estará sempre bem acomodada no meio das suas lembranças.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Silêncio escrito

Em um mundo imaginário, mas real...
Ou real de fato, mas imaginário...
A faca amarrada ao pensamento dilacerou
Cortou fundo, sem sujeira
Fez sentir um desconforto nas entranhas
Pressão no peito. Inquietude
Muitas vezes e parou.
Torpor.

Reclamar? Para quê? Por quê?
Prefiro o silêncio
O silêncio já virou pele, pele sobre a pele
Tornou-se abrigo, conforto e morte
Covardia disfarçada
Tornou-se mudança de perspectivas
E de certezas
Um mergulho de cabeça no egoísmo
Assertivo pois

Encarar a solidão e passar a apreciá-la é um pecado aceito
Loucura, talvez digam
Teatro, talvez já disseram e ainda dizem
O fato é que não importa mais
O mundo gira, com ou sem compreensões
Com as muitas tempestades de julgamentos

Eu fico com o silêncio!
Com o egoísmo
Com o nada bem aproveitado
Com o que vem de bom grado
E sempre vem em abundância, obrigado!

Danço com a solidão sorrindo
Distribuo sorrisos
Abraço a gentileza
E amo muito!
Afinal, não aprendi ser diferente
E agradeço por saber enxergar além do comum
Por que apesar de tudo, a vida é linda!

E o mal...
O mal vai coexistindo, pois o bem precisa dele.

Fonte: https://pixabay.com/p-799598/?no_redirect

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Ainda sobre o tempo

Leia ouvindo a playlist abaixo:



Fonte: http://senta.la/1ve1k
Antigamente sobrava tempo. Podíamos gastá-lo com muitas horas de sono, até mais do que era realmente preciso. Podíamos assistir toda a programação de um canal qualquer de TV, sem preocupações. Ou podíamos simplesmente sentar na porta de casa e ficar horas vendo o movimento dos carros e pessoas que passavam. Havia até tempo para reclamar de tédio, por ter tanto tempo.

Depois de tanto tempo sem sequer notar o tempo, é tão estranho perceber que ele não é tão grande assim e que dentro dele não cabe mais todas as ações desejadas. A sensação que fica é a de que o dia parece faltar horas e qualquer coisa que você faça de diferente daquela rotina, bagunça tudo e não dá pra fazer mais nada. Milésimos de segundo de sono se tornam coisas importante na sua vida, já que perdê-los é como te colocar próximo ao conceito de zumbi no outro dia.

Aí um dia aparece um adulto para fazer você acordar para a realidade. Ele enfia na sua cabeça que você já entrou para o grupinho dos adultos, pois você já é um adulto. Ou, se você é bem esperto, descobre isso sozinho. E você tem que aceitar sem reclamar, pois não passa de uma verdade e mais, vai ter que aprender a administrar o seu próprio tempo, deixando de lado muitas coisas que nada acrescentam no seu dia, para que as coisas que realmente importa ganhem foco. Por um bom tempo você vai sofrer em ter que abandonar suas coisas inúteis e cheias de felicidade.

Chega um momento em que você percebe que o tempo deixou de ser grande e você vive sonhando e aguardando ansiosamente por dias em que ele aumente, como nos feriados, folgas e nas férias. Apenas para tentar fazer coisas que normalmente não dá tempo nos dias de rotina. Mas aí, nesses dias de muito tempo, quase sempre, você faz uma parceria com o nada. Fazer nada é tão bom! E assim a vida vai seguindo, com seu desejo incessante por mais e mais tempo, para você fazer suas coisas legais ou fazer nada novamente.

domingo, 16 de agosto de 2015

Hoje o tempo voa, amor

laughing
Fonte: https://flic.kr/p/6u5SXv
Bate uma felicidade tão grande quando se faz algo que se está com vontade. Pode ser aquela coisa mais simples como sair, abrir os braços, fechar os olhos e sentir o vento. Ou ligar o som e começar a dançar pela casa. Sem falar em loucuras, tipo cometer uns excessozinhos de vez em quando, tomar um porre daqueles e morrer de ressaca no outro dia, arriscar uma conversa com um estranho, enfiar a cabeça na janela e gritar alguma coisa para o mundo... Que graça tem a vida se não for para ser vivida? Do jeito que for. Independentemente da fase em que você se encontra naquele momento.

Há certo tempo adotei para minha vida a filosofia de “fazer sempre aquilo que estou com vontade”, após ganhar um conselho fantástico de um primo mais velho. Decidi insistir nisso. Fazer o que estou com vontade, desde que não me prejudique ou aos outros. Aos outros principalmente. E como isso tem feito diferença no meu dia a dia! Claro que não é uma coisa que resolve todos os percalços da vida, mas é um plus na caminhada.

Somos nós que vamos criando limites para nossa vida, com nossos cérebros cada vez mais over pensantes, tentando nos encaixar aos modelos da sociedade. Só que a sociedade sempre foi e sempre será muito cruel nos julgamentos e nas cobranças. Como li em um texto muito bom por esses dias: "Não importa como eu escolha viver a minha vida, as alternativas vão sempre estar erradas para os outros". Então, se o que você vai fazer para aproveitar sua vida sempre será errado para alguém, por que você vai deixar de fazer? Repetindo, acho que basta que sua ação não prejudique os coleguinhas.

Todavia, uma das coisas ruins de sermos humanos é estarmos suscetíveis ao causar mal inconscientemente aos outros, por alguma palavra dita sem pensar, por algum sentimento bobo nutrido, por nossas manias, nossos comportamentos padrões e por aí vai... Infelizmente não dá pra ser perfeito. Tem que ir tomando cuidado durante a prática das loucuras e ir se perdoando pelos erros e descuidos nossos, sempre caindo no clichê de ir aprendendo com eles.

Ainda que a sua vontade de aproveitar a vida naquele dia seja deitar na cama com um pote de sorvete, vendo seriado, só de satisfazê-la vai te dar prazer. Se não está legal, procure outra vontade! Precisamos aproveitar a vida, de alguma maneira, pois o tempo parece que tem passado com uma velocidade ainda maior que há alguns anos e o sentimento de não ter vivido o suficiente vem com muita facilidade.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

#TBT

Foto: https://www.flickr.com/photos/julieedgley/3002607644

Em um passado distante andávamos juntos
Olhávamos quase na mesma direção
Tínhamos declarações, transbordamento de emoções sem hora marcada
Tínhamos sorrisos entre olhares
Tínhamos cartas escritas à mão
Tínhamos datas significativas
Tínhamos o amor eterno dentro daquele instante
Eu tinha o meu amor, minha metade, meus sonhos compartilhados
E você tinha a minha reciprocidade
Aliás, tínhamos a reciprocidade um do outro
Aí um dia veio a realidade, os caminhos inesperados, a monotonia
A minha falta de experiência, o meu achar que sabia de alguma coisa...
Vieram os meus sonhos e os seus sonhos, independentes
A paixão foi abandonando o amor
E mesmo sem entender todos os detalhes do que acontecia, veio o fim...
Anos se passaram; muitos anos
E cá estou lembrando de você com certo saudosismo, por culpa da Ana Carolina
Sei lá... Não existem mais pretensões de coisa alguma, mas ficou um carinho inexplicável congelado no tempo
Essas palavras vêm expressar o quanto você foi importante...
Sou feliz por ter vivido essa história.

Um beijo!

terça-feira, 7 de abril de 2015

Padrões



Por que será que é tão difícil entender as pessoas que não se interessam em fazer parte dos padrões gerais estipulados pela sociedade? Quer dizer, entender aquelas que têm coragem de NÃO fazer parte, já que a maioria se sente obrigada a seguir os estereótipos de beleza, de comportamento, de estilo de vida...

Tudo bem que se você não respeitar pelo menos alguns dos tais padrões, você será imediatamente taxado de louco ou algo do tipo. Andar sempre vestido ou evitar fazer coisas muito íntimas em público, por exemplo, são comportamentos necessários. Mas o que tem de mal em uma pessoa gorda não se importar em continuar sendo gorda? O gay ser efeminado e a lésbica masculinizada? Qual o problema em ser uma pessoa de pouca ambição e estar contente com o nível financeiro que já possui? Qual o problema de uma mulher dizer que não quer casar ou ter filhos?

É tanta coisa imposta e quase obrigatória, e é tanta gente presa a ideias e conceitos que nunca foram exatamente seus, vivendo em uma vida que não é aquela que traria a devida satisfação. Estamos imersos em uma cultura social que vive fazendo lavagem cerebral em nossas cabeças, fazendo-nos querer tão mais além do que a nossa própria vontade. Porque como já sabemos, o “querer sempre mais” está diretamente ligado à ideia de felicidade. É feliz quem consegue ter mais. Mas será mesmo?

Aí dizem que é desculpa de fracassado para fugir da determinação de mudar a própria vida. Só que o conceito de fracasso pode não ser o mesmo para todas as pessoas. O fato é que cada um devia cuidar da própria vida e deixar os outros com as vidas que querem ter, mudando quando acham que devem.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Passado



Foto por mim - 21/09/2014


Objetos representam acontecimentos
Músicas representam momentos
Cheiros representam pessoas, lugares
Fotos representam fatos
Uma infinidade de representações, incontroláveis...
O que seria exatamente de nós sem as lembranças?
Ainda que machuquem, despedacem, angustiem...
Também sustentam o hoje, adicionam, temperam, colorem...
O passado está sempre lá, aberto à visitação
Gratuitamente para quantas vezes a vontade aparecer
Tentando matar parte da saudade que é imortal


Visito com certa freqüência
A nostalgia adentrou meu ser em algum momento da vida
E se enraizou para nunca mais sair
Mas hoje tenho calos nas mãos
E um coração que não sai mais do peito tão facilmente
Certo estou de que o passado sempre estará lá
Mas para ser visitado apenas!
Sorrateiramente e rapidamente... Sem muito apego.


O passado é passado, é lembrança, é saudade.
Querer revivê-lo é bobagem!
Os psicólogos dizem, os filósofos dizem, a realidade comprova.
E não hei mais de fazê-lo!


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Ignorando o estresse



Fonte: http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/files/2014/02/estresse1.jpg
Certa vez me perguntaram como eu conseguia, em uma situação totalmente estressante, manter um sorriso no rosto e demonstrar serenidade. Eu achei o comentário engraçado e não soube exatamente o que responder, mas fiquei com aquilo na cabeça, tentando encontrar uma resposta. Acho isso aconteceu há mais ou menos um ano.

Hoje eu consigo perceber que era o meu comportamento involuntário responsável por manter o meu controle meio à situação. Sabe essas coisas que você faz e nem sequer percebe? Pois é.

É claro que me estresso, fico chateado, arranco os cabelos, falo palavrão, fico mal-humorado e até desconto nos outros. Momentos estressantes, principalmente quando se trabalha em uma empresa privada, são comuns. Contudo eles são momentos e momentos tem duração. Lembrar-se disso já faz uma pequena diferença na cabeça. E quando tal momento desagradável termina o alívio que vem é muito bom. É como fazer xixi depois de segurar muito tempo a bexiga cheia. Eu consigo, quase sempre, manter um sorriso e a serenidade porque no fundo sei que aquilo ali vai terminar.

“Mas você não fica contaminado pelo estresse do dia?” Na maioria das vezes não. Não tenho por que guardar a sensação ruim daquele momento e ficar revivendo tudo depois de já ter sido solucionado. O que quase sempre acontece é eu me sentir esgotado, com dor nos músculos, como se tivesse dançado o dia todo sem parar.

Foi quando li aleatoriamente um texto que falava sobre “mente sadia” que concluí que praticava o ensinamento dele sem sequer ter aprendido formalmente. O texto dizia que o tempo todo há elementos e fatos presentes no momento e em nossas existências pessoais que “justificam” uma atitude pessimista e rabugenta, ou uma atitude otimista e feliz e que tudo depende da nossa escolha. E escolher atitudes positivas e direcionar o pensamento para coisas úteis compensa todo o estresse sentido.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Os loucos são felizes



Como ousam julgar os loucos? Quando nem sequer conhecem a loucura, para tal infâmia. Os loucos são felizes. Eles não sentem as dores do mundo. Aquelas dores nas quais, por algum motivo - que um dia ainda vou conseguir entender -, nos agarramos com tanta intensidade. Dor para os loucos é mera consequência desastrosa de suas ações. Eles não se apegam a nada e, por isso, não precisam se desapegar. Não têm expectativas. Eles apenas vivem. Os loucos não têm obrigações. Compromisso é tudo aquilo que fazem por eles. Repito, os loucos são felizes. Infelizes somos nós que criamos problemas para ter pelo o que sofrer. Talvez, inconscientemente, buscando a insanidade para nos livrarmos da realidade.

domingo, 2 de novembro de 2014

Ela




Ela não gostava de ninguém
Gostava daqueles que faziam força para compreendê-la
Seu coração era grande
Mas ela o escondia dentro de uma caixa de sapatos caros

Ela amava a chuva
E pedia por chuva sempre que o céu estava limpo
Sentia-se implicitamente elogiada
Nuvens de chuva combinavam com a cor de seus olhos

Ela se sentia livre ao correr pelas ruas
Seus vizinhos chamavam-a de maluca
E quanto mais loucura lhe atribuiam,
Mais coragem tinha de fazer o que bem entendia

Ela tocava seus instrumentos musicais invisíveis
Cantarolava alto quando estava feliz
Arriscava passos de dança em ruas movimentadas
E ignorava olhares desdenhosos

Ela era linda
E sua beleza podia ser maior ou menor
Tudo dependia de sua vontade
Ou de olhos de mentes bem abertas

Ela tinha medo de toques humanos em excesso
Tinha medo de sorrisos muito fáceis
Corria de demonstrações muito intensas de afeto
E alimentava diariamente sua desconfiança

Ela sonhava sempre que podia voar
E gostava de voar acima de cidades grandes
Já tinha visitado meio mundo em sonhos
E sempre acordava com um sorriso de conquista nos lábios

Ela era destemida, quase sempre
Andava de ónibus sem rumo certo
Desenhava carinhas sorridentes por lugares que achasse bonitos
E vivia sorrindo olhando para o céu

Ela era tão feliz
Mas um dia tentou se encaixar no mundo
Foi perdendo sua loucura, dia após dia
Até que se tornou um pessoa normal

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Oração



  

Meu Deus,

Primeiramente preciso agradecer por tudo que acontece e também pelo o que não acontece. Hoje eu compreendo que há um significado para todas as coisas. Obrigado por tudo!

E quero pedir discernimento para conseguir lidar com tudo aquilo que não compreendo, pois há tantas coisas... Os anos passam e aprendo muita coisa, mas sempre há os resquícios do incompreendido e isso é o que mais pesa, algumas vezes.

Por favor, dê-me coragem para enfrentar todos os medos que já existem e todos os que forem surgindo pelo caminho. E me faça ser inútil para as pessoas ao meu redor, sem que eu perca meu valor. Quero ser inútil, pois quero ser amado pelo que sou e não pelo que faço. E que a minha doação, do que quer que seja, seja sempre de bom grado, sem espera alguma de retorno, como deve ser.

Abençoe cada pessoa boa que fizer parte da minha vida e também as que não fazem, mas de longe me desejam o bem. Abençoe também as pessoas ruins e dê a elas oportunidades para terem coisas boas e preencherem suas vidas, para que não tenham tempo de querer as vidas alheias para si.

Eu te peço ainda, meu Deus, que não deixe a tolerância virar um conceito retrógrado e que ela esteja mais presente na vida das pessoas. E onde pintar o mínimo que for de ódio, que o amor o substitua.

Que as famílias não se desfaçam por efemeridades e que o amor reafirme qualquer laço feito, consangüíneo ou não.

Amém!

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Que eu sempre saiba amar!



Que eu nunca, nessa vida, perca a vontade e a capacidade de amar! Ainda que meu amor seja rejeitado, mal interpretado, difamado, rotulado... ou a merda que for! Ainda que o mundo se consolide em outro. Ainda que a reciprocidade se extinga.

Que eu ame além de todo medo de amar! Que eu ame, mesmo que calado! Pois o amor faz bem, mesmo quando faz mal. E quando fizer deveras mal, que caminhe lado ao lado com a sutileza, convertendo-se em querer bem no final!

Que eu sempre ame nessa vida! E como disseram por aí: "Que seja eterno enquanto recíproco!"



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Realidade?



IMG_20140810_174900[1] Foto: BR020 10/08/2014, por mim

Realidade é a realidade. Pura, das coisas da vida, cruel, sem pormenores. É aquela que move o mundo, que faz as pessoas caminharem para frente, imersas e direcionadas pelos seus objetivos. Realidade vem com toda força que deram a ela e te bate na cara com toda força, para te fazer acordar e andar sem vacilo. Ela é o real do mundo, sem metáforas, sem enfeites inventados. Sou ciente dela. Sou arrastado por ela. Mas vez ou outra reluto, enfrento, teimo, corro para o imaginário. Porque viver apenas de realidade é ser correto demais; é abraçar tudo o que é imposto, reprimindo vontades. Então eu enfio sonho no meio, corro para as ficções, vejo filmes, viajo no teto do meu quarto, crio estórias, vivo estórias. Não sei como seria o mundo sem as artes. É o meu refúgio, meu conforto, onde eu posso relaxar, posso recriar monstros gigantescos e poderes em mim para enfrentá-los. Posso esvair o amor que às vezes sobra. Posso viver infinitos finais felizes e dramatizar momentos apenas para causar mais emoção. E volto à realidade, porque alguém disse que viver só de imaginação é coisa de louco e até hoje não consegui provar que louco mesmo é quem vive apenas de realidade.

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Do ônibus



Assim que me aproximei da roleta do ônibus senti o peso de um olhar a me encarar. Olhei para atrás para ter certeza se era pra mim e sim, era. Estava sendo surpreendido naquele momento. Há tempos um olhar não tinha um peso assim. Ou eu que tinha, sei lá, sido pego desprevenido. Paguei o cobrador e entrei olhando de volta. Havia muita beleza ali pra eu passar ignorando. Olhei de volta, sem dó. Procurei um lugar próximo para sentar, mas às 18:00 é quase impossível os ônibus estarem vazios. Então peguei o banco que fosse mais estratégico, ainda assim não sendo muito feliz na opção. Percebi que o olhar tentava continuar me seguindo, mas você virar a cabeça para trás ali seria muito descaramento e não houve ação, ainda que eu torcesse para que houvesse mesmo assim. Fodam-se os outros passageiros! Eu estava preparando um sorriso para quando você olhasse novamente, porém você só tentou de canto de olho, daqueles em que evita-se ser tão óbvio. Comecei a ficar impaciente até que infelizmente a sua parada estava próxima. Você levantou, puxou a cordinha e veio passando em minha direção. Finalmente pude doar gratuitamente e de bom grado o meu sorriso mais sincero e você sorriu de volta, fazendo meu coração dar uns pulinhos de empolgação. Contudo faltou mais ação de ambas partes. Trocar celular seria extremamente fácil ali, mas creio que os dois ficaram meio abobalhados com a situação e permaneceram inertes. Você desceu do ônibus e ainda deu olhada para trás sorrindo, me deixando ainda mais feliz com aquele momento. Minutos de extrema emoção, perdidos no meio de um discurso sem palavras. Peguei o mesmo ônibus, no mesmo horário por diversas vezes e nada de reencontrar aquele olhar-sorriso. Quem sabe um dia aconteça. E da próxima vez, farei o possível para ser mais proativo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Obrigado!



Obrigado por tentar me entender! Por não me olhar com os olhos dos outros. Obrigado por forçar um mergulho com paciência no meu infinito particular, que protejo com tanto afinco! Obrigado por pegar os meus pensamentos mais distorcidos e interpretar o mínimo que seja, tentando encontrar algum sentido válido! Obrigado por me abraçar e dizer que está tudo bem! Obrigado por me fazer perceber que muita coisa era apenas insegurança! Obrigado por todas as palavras lindas e por mostrar todas as coisas lindas que eu não via pela minha cegueira, consequência de minha loucura! Apenas obrigado! 


[Obrigado a você que nem sequer sei se existe!]

domingo, 20 de julho de 2014

Mude algo



Você percebeu que o lado mais torto tinha uma leve retidão. As cores mais destacadas não eram mais as mesmas. Você ganhou um novo filme favorito. Sua cama está mais perto da janela. Você passou a sentir um raio do sol no seu dedão do pé, durante as primeiras horas da manhã. A lua te conquistou. Suas pernas não são tão finas afinal e seu cabelo pode ser mais curto e você continuar bonito. O vizinho de cima só tem a cara de bunda. Sua chefe gosta de abraço tanto quanto você. Há um pé de maracujá do lado do seu prédio e tem um casal de corujas morando nele. Filme de terror pode não ser tão aterrorizante assim. A moça da limpeza sorri lindamente quando recebe um "bom dia". Domingo é um dia totalmente produtivo. No caminho alternativo para a parada de ônibus tem uns pés de amora que quase ninguém vê. Jenipapo tem um gosto muito bom.

De um momento sozinho, você passou a compreender suas próprias loucuras e descobrir que o mundo tem muito mais do que você imaginava. E foi percebendo, durante o percurso, o sentido das coisas sendo reformulado, as importâncias se perdendo e novos valores brotando de conceitos quebrados propositalmente. Você começou a enfatizar coisas antes efêmeras, a ouvir outras músicas, a entender outros assuntos, a ver outros caminhos, a compreender outras pessoas... Outras características desabrocharam e alguns comportamentos foram substituídos.

Mude algo e entenda.

sábado, 12 de julho de 2014

Enlouqueci



Enlouqueci. E não espero que entendam. Ou que colaborem.

Quero apenas que me deixem sentir o que for.

E se não deixarem, vou sentir do mesmo jeito.

É meu e só meu!

Eu já sei que julgarão, pois sempre julgam.

 

Sei que talvez soe solitário, e contraditório, e injusto.

Mas que tenha o rótulo que quiserem dar!

Enlouqueci. Ponto. Não importa o sentido disso.

Aliás, importa para mim.

 

Escoaram todos os sentimentos, os sonhos e os desejos.

Preciso da minha loucura.

É uma questão de necessidade.

Perdi-me para me encontrar.

Enlouqueci para me tornar são.

Tornar-me-ei! Encontrar-me-ei! Só não sei quando.

 

Enlouqueci e estou bem no meio da loucura.

Porém busco a sanidade, maior, melhor.

Coloco os pingos nos is, os traços nos tês, as vírgulas e os pontos.

Procuro a razão, o conhecimento, os caminhos asfaltados.

Enfrento os medos, compreendo as incertezas, silencio o desnecessário.

Dou sentidos, retiro importâncias, esqueço.

Amo e desamo.

E cresço.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Despedida




Não importa se é a primeira ou a última vez, despedir-se é sempre triste demais. Quase nunca é uma escolha, mas é sempre um baque, sempre machuca, sempre dói. Despedir-se é como perder um pedaço de si e ter que aprender a conviver com aquele buraco formado, com aquela falta. É ter que reaprender a viver sem aquela presença, sem aquele carinho, sem aquele cheiro, aquele abraço, sem tudo aquilo que a pessoa representava. Despedir-se produz saudade em abundância, na forma mais melancólica e dolorida que existe. Causa desespero, desânimo ou depressão. E infelizmente, o que nos resta é viver aquele luto nascido da despedida e aguardar o momento em que a saudade não doa mais, por que na vida sempre haverá despedidas e não há nada que mude isso. Só nos resta lamentar até o dia em que as boas lembranças tenham prevalecido sobre todo sofrimento.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Sorridente



Foto: Felipe Souza

As pessoas achavam estranho vê-lo assim, caminhando e sorrindo do nada e para o nada. Felicidade, pra muita gente, tinha que ter um motivo ou uma explicação plausível, dentro de algum contexto com sentido. Porém ele havia descoberto há algum tempo que dava pra sentir o mínimo que fosse de um bom sentimento por dia. Era possível e deveria ser obrigatório já que fazia tão bem. Situações chatas e momentos desagradáveis sempre existiriam e ele tinha isso em mente, o que era muito bom. E sua maior descoberta foi que se ele encontrasse alguma coisa qualquer pelo o que sorrir, as coisas ganhariam outra perspectiva. Era um comportamento incomum, se comparado ao resto do mundo. Os seres humanos ao seu redor não entendiam. Quer dizer, alguns conseguiam entender, outros ignoravam e outros torciam o nariz e criticavam. "Como pode ser tão sorridente?! Não deveria ser assim. Sorrir assim é coisa do passado! O mundo é outro." Mas ele era teimoso e insistia na sua descoberta. Bom para ele. Sorrir sempre tornava as coisas chatas suportáveis e, quase sempre, conseguia desmanchar carrancas. Anos passaram meio a sorrisos sem motivo, até que ele descobriu o abraço gratuito e inesperado. Desde então, tudo passara a ser sorrisos e abraços.




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Susto



Estranho ver que meu coração ainda dispara ao topar com alguma movimentação sua. Sei que não é amor, tampouco saudade. Saudade vem de vez em quando, quase nunca. É muito estranho. Talvez seja apenas o susto de relembrar que você existe, depois de fazer o possível para não lembrar do que quer que seja sobre você. E isso! Foi apenas um susto. Aquela sensação que acontece no momento mais inesperado. E que já passou novamente!

bebe careta susto[7]